Choques deixam dezenas de mortos na Síria, incluindo crianças

Após polêmica entrevista de Assad, repressão policial contra protestos deixa ao menos 24 mortos em Homs e nos subúrbios de Damasco

iG São Paulo |

As forças de segurança da Síria dispararm contra manifestantes que protestam contra o governo de Bashar al-Assad, deixando dezenas de mortos, incluindo várias crianças, enquanto o regime tenta abafar uma revolta que já dura nove meses.

Leia também: Presidente da Síria diz não sentir culpa por repressão a levante

AP
Imagem de vídeo amador mostra corpo em calçada de Homs, na Síria

Os índices de pior violência foram em Homs, cidade no centro do país, que emergiu como epicentro da revolta contra Assad. "A terra está sacudindo", disse um residente de Homs à Associated Press por telefone, dizendo que explosões e trocas de tiros começaram na manhã. "Pessoas armadas andaram pelas ruas e abriram fogo indiscriminadamente."

Apesar do implacável derramamento de sangue, Assad se recusou a ceder à pressão e renunciar e não há sinais de que os confrontos irão dissipar-se. As Nações Unidas estimam que o conflito já deixou 4 mil mortos desde março.

Segundo a AP, dois meninos, de dez e 12 anos, foram atingidos por balas perdidas próximo aos postos de controle do governo na cidade de Homs, segundo ativista. Ao menos dois ourtos adolescentes foram mortos em outro ponto, informaram ativistas.

Rami Abdul-Rahman, chefe do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, disse que o garoto de dez anos foi atingido por uma bala enquanto atravessava a rua no bairro de Bab Sbaa. O de 12 anos estava caminhando junto à multidão enquanto saía de uma mesquita.

Protestos contra o governo geralmente ocorrem depois das orações de sexta-feira, embora testemunhas tenham afirmado que houve um esforço para evitar que as pessoas se reuníssem essa semana. Um grande número de soldados foi posicionado nas ruas e, em muitos casos, fecharam áreas antes mesmo que as rezas começassem.

Os agentes da força de segurança também atiraram contra manifestantes nos subúrbios de Damasco, na parte leste da cidade de Deir el-Zour, na província de Idlbi, próximo à Turquia. Na parte sul da cidade de Daraa, ativistas afirmaram que a internet e as linhas de telefone foram cortadas.

Uma coalizão ativista, o Comitê Coordenado Local, disse que 35 pessoas foram mortas nesta sexta, a maioria deles em Homs. Já o Observatório Sírio colocou o número de mortos em 24.

Apesar do crescente número de mortos, o presidente sírio afirmou durante entrevista na quarta-feira, que não se sente culpado pelo que ocorre no seu país .

"Fiz o melhor para proteger as pessoas, então não posso me sentir culpado", afirmou rindo levemente em rara entrevista concedida ao canal de televisão americano ABC News, que foi ao ar nesta quarta-feira. "Lamento as vidas que foram perdidas. Mas não se sente culpa quando não se mata ninguém."

Com AP

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