Chefe humanitária da ONU diz ter ficado 'arrasada' durante visita a Homs

Valerie Amos diz que Baba Amr está 'totalmente destruído' e conseguiu 'progresso limitado' sobre entrada de ajuda na Síria

iG São Paulo |

A chefe para ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Valerie Amos, disse nesta sexta-feira ter ficado “arrasada” durante uma visita ao bairro de Baba Arm , principal alvo da ofensiva militar na cidade síria de Homs. Valerie, que conseguiu entrar na região na quarta-feira, fez um apelo às autoridades sírias para que deem acesso livre às equipes humanitárias capazes de ajudar a população civil.

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AP
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“Fiquei arrasada com o que vi. Aquela parte de Homs está totalmente destruída”, afirmou, durante coletiva em Ancara, na Turquia. Valerie disse não ter visto um único prédio sem marcas de tiros ou bombas, além de grandes buracos nas ruas e evidências de que tanques militares foram usados. “A situação é terrível”, avaliou.

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De acordo com Valerie, o bairro de Baba Amr estava praticamente deserto. “Não sobraram pessoas. As que vi buscavam seus parentes”, afirmou. “Precisamos saber o que aconteceu com as pessoas.”

Valerie afirmou que, durante sua visita, conseguiu um “progresso limitado” em relação à entrada de ajuda humanitária na Síria. Segundo ela, o governo do presidente Bashar Al-Assad estuda permitir a atuação das equipes a partir da semana que vem.

Ainda assim, ela disse que a ONU quer um compromisso “mais firme”. "O governo sírio pediu mais tempo para avaliar um amplo acordo que apresentei. É realmente muito importante que tenhamos acesso livre", disse.

Ela acrescentou que o regime de Assad concordou com a realização de um exercício de avaliação limitado, feito em conjunto pelas agências da ONU e as autoridades sírias, para colher informações sobre as necessidades das vítimas do conflito.

Nesta sexta-feira, Valerie visitou refugiados sírios em um campo no sul da Turquia, destino de milhares de moradores da Síria que fugiram do conflito. De acordo com o governo turco, 12 mil sírios estão registrados em campos na província de Hatay, incluindo dois generais, um coronel e um sargento que desertaram do Exército.

Em Ancara, Valerie se encontrou com o ministro de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, que conduzirá uma reunião de chanceleres do grupo "Amigos da Síria", que reúne países árabes e ocidentais, nas próximas semanas.

No sábado, o enviado especial conjunto da Liga Árabe e da ONU para a Síria, Kofi Annan, fará uma visita a Damasco. O objetivo de Annan é pedir o fim das hostilidades e a união entre governo e oposição para, juntamente com a ONU, "encontrar uma solução que respeite as aspirações do povo".

Reuters
A chefe humanitária da ONU, Valerie Amos, descreve o que viu na Síria durante entrevista coletiva em Ancara, na Turquia

Um dia antes da visita de Annan, a violência continua em locais como Homs. De acordo com ativistas, disparos de morteiros atingiram uma manifestação no distrito de Bab Houd. Uma mesquita em Bab Dreib também teria sido atacada após as orações de sexta-feira.

Com AP, BBC, Reuters e EFE

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