Chefe de missão na Síria renuncia enquanto Liga Árabe se reúne

Al-Dabi deixa cargo após missão observadora ter fracassado em janeiro; ativistas denunciam uso de escudos humanos por forças do governo

iG São Paulo |

O chefe da missão de observadores da Liga Árabe para a Síria renunciou ao seu cargo neste domingo, enquanto os chanceleres do grupo formado por 22 países se encontraram para, entre outros assuntos, considerar uma proposta de envio de uma nova missão ao país.

Síria :
- General do Exército é assassinado em Damasco, diz agência estatal
- Projeto de resolução para condenar Assad chega à Assembleia Geral

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Chefe da Liga Árabe Nabil Elaraby e premiê do Catar xeque Hamad Bin Jassim Althani participam de reunião da Liga Árabe no Egito

Na reunião no Cairo também considerava uma proposta para expulsar os embaixadores sírios de todas as capitais árabes.  A Liga Árabe tem sido a líder nos esforços para conter o derramamento de sangue na Síria, que já dura 11 meses.

O grupo conseguiu levar adiante um plano de paz, que o presidente sírio Bashar al-Assad assinou em dezembro, e então enviou monitores para verificar se o regime sírio cumpria com as propostas. Porém, quando ficou claro que o governo estava ignorando os termos do pacto e intensificando a represão, a Liga retirou os observadores no mês passado.

Um oficial afirmou que o general Mohammed Ahmed Al-Dabi, chefe da missão, se demitiu neste domingo. Segundo ele, o líder da Liga Árabe Nabil Elaraby vai nomear o chanceler da Jordânia Abdul-Illah al-Khatib como o novo enviado da Síria. A autoridade falou em condição de anonimato.

A liderança de Al-Dabi à frente da missão observadora sempre foi marcada por controvérsia e críticas, uma vez que grupos de direitos humanos condenam suas ações em Darfur, onde o Sudão é acusado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional.

A Liga Árabe enfrenta agora uma pressão em liderar os esforços para tentar conter o derramamento de sangue na Síria, após a derrota diplomática no Conselho de Segurança há uma semana. O projeto de resolução da ONU contra o regime do país, que apoiava o plano árabe de pedir que Assad transfira seu poder ao vice-presidente, não foi aprovada, pois a Rússia e a China usaram seu poder de veto para impedir a medida.

Leia também: Rússia e China vetam resolução da ONU contra a Síria

A Liga Árabe estava considerando se enviaria ou não uma nova missão observadora ao país, porém, dessa vez, ampliada, incluindo, incluindo monitores de países não-árabes, muçulmanos e as Nações Unidas. Entretanto, parece pouco provável que o governo sírio aceitaria uma nova equipe em seu país.

"Chegou o momento para uma ação decisiva para deter o derramamento de sangue do povo sírio desde que começou no início do ano passado", disse Nabil Elaraby aos ministros árabes. "Nós devemos tomar ações rapidamente em várias direções para acabar com o ciclo de violência."

"A nova missão deve ser totalmente diferente dessa", disse Elaraby. "A experiência anterior mostrou que lá não pode haver uma restauração da segurança sem uma visão política."

Chanceleres do Conselho de Cooperação do Golfo - formado pela Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar e Bahrein - também propõem a expulsão dos embaixadores sírios de todos os países árabes.  Eles também propuseram que os países árabes retirem seus embaixadores de Damasco, segundo oficiais.

Os membros do Conselho de Cooperação do Golfo expulsaram os embaixadores sírios de seus países durante a última semana. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita circula na Assembleia Geral da ONU um projeto de resolução , semelhante ao vetado anteriormente. O plano "apoia totalmente" o plano de paz da Liga Árabe.

No domingo, o chanceler tunisiano Rafik Abdessalem afirmou aos ministros da Liga Árabe que seu país estava preparado para receber a reunião "Amigos da Síria" no dia 24 de fevereiro. A reunião da Tunisia reunirá EUA, aliados europeus e os países árabes que trabalham para a pacificação da Síria.

O projeto de resolução saudita, no entanto, ainda não foi apresentado formalmente na Assembleia Geral até o momento. O órgão da ONU deve discutir o caso da Síria na segunda-feira, mas não está marcado nenhum voto para a resolução até o momento. Na Assembleia Geral da ONU não existe o poder de veto, porém suas ações não tês a força legal, diferente do Conselho de Segurança.

Violência

O governo sírio continuou a lançar sua ofensiva contra a cidade de Homs no sábado. Eles também avançaram na cidade de Zabadabi, que por um breve momento, ficou sob controle dos rebeldes .

Antes da ofensiva: Manifestantes aproveitam calmaria em Zabadani

De acordo com ativistas, no sábado, 35 foram mortos, enquanto um general foi morto em Damasco . O general Isa Al-Kholi, chefe de um hospital militar sírio, foi assassinado com um tiro na cabeça por membros de um "grupo terrorista armado", de acordo com a agência estatal de notícias, enquanto deixava sua casa no norte da cidade.

Esse foi o primeiro assassinato de um oficial de alta patente em Damasco desde que a revolta contra o regime teve início, em março.

Segundo um ativista, as forças do governo sírio estão usando prisioneiros civis como escudos humanos em Homs, colocando-os nos tanques para impedir que o Exército Livre Sírio - organização militar dos desertores do Exército que tentam derrubar Assad pela via armaada - atire de volta.

As tropas pró-regime voltaram a atacar o bairro de Baba Amr, em Homs, neste domingo, segundo relatos de ativistas. Esse é o oitavo dia de violência no distrito de Homs, um dos epicentros da revolta contra Assad.

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Manifestantes contra o regime carregam o corpo de um homem, que teria sido morto por ataques das forças do governo em Homs (7/2/2012)

"Eu estou quase morto por conta do cerco", disse o ativista da oposição, Omar. Segundo a rede CNN, três civis foram mortos na ofensiva em Baba Amr neste domingo, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, um grupo ativista da oposição. Um quarto civil foi morto por tiros próximo à cidade de Bab Houweid, segundo o grupo.

De acordo com os Comitês de Coordenação Locais, uma rede ativista que organiza e registra os protestos na Síria, 687 pessoas, incluindo 59 crianças foram mortas na última semana. Cerca de dois terços dessas mortes ocorreram em Homs.

Com AP e Reuters

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