Chefe da Liga Árabe vai se reunir com Conselho de Segurança

Nabil Elaraby quer conseguir apoio da ONU para plano que prevê maior pressão contra o governo da Síria

iG São Paulo |

O secretário-geral da Liga Árabe e o primeiro-ministro do Catar vão viajar no sábado para Nova York para dialogar com a ONU sobre a Síria, informou à rede CNN um oficial da Liga Árabe nesta quinta-feira.

Leia também: Síria concorda em estender missão de observadores por um mês

Reuters
/Nabil Elaraby che/ga à Síria após participar de uma reunião de países árabes no Cairo (28/08/2011)

De acordo com a rede BBC, o encontro com o Conselho de Segurança da ONU ocorrerá na segunda-feira. Os diplomatas da ONU esperam que as conversas com o secretário Nabil Elaraby e o premiê do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, sejam fundamentais para conseguir que o Conselho de Segurança aprove uma resolução sobre a Síria.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, enfrenta uma crescente pressão internacional quanto à repressão de seu governo contra manifestantes pró-democracia que pedem o fim do regime.

Ao mesmo tempo, novos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes foram registrados perto da capital do país, Damasco. Nesta quinta, ativistas disseram que agentes do regime Assad lançaram uma ofensiva contra o subúrbio de Douma.

Segundo um repórter da BBC, o centro da cidade  está nas mãos do grupo rebelde Exército Livre da Síria, formado principalmente por desertores do Exército oficial. Uma organização ativista, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, afirmou que 34 foram mortos em várias regiões do país.

Elaraby afirmou à BBC que ele e o premiê do Catar iriam "realizar uma reunião com o Conselho de Segurança na segunda-feira para buscar a ratificação da decisão da Liga Árabe quanto à Síria".

Na quarta-feira, o governo da Síria concordou com a extensão de um mês da missão de monitoramento da Liga Árabe, que estava no país para verificar se o regime estava se comprometendo com o plano de acabar com a violência, abrir o diálogo com a oposição e tirar os tanques das ruas.

Porém, apesar desse prolongamento no prazo, seis países do Conselho de Cooperação do Golfo retiraram seus observadores da missão nessa semana, citando a continuidade do derramamento de sangue e a falta de comprometimento do governo com a proposta da Liga Árabe.

No domingo, a Liga Árabe pediu que o presidente sírio renunciasse e entregasse o poder ao seu vice. Em seu plano, o grupo formado por 22 países árabes quer que a Síria forme um governo de unidade nacional com a oposição dentro de dois meses. O governo sírio já rejeitou o plano , caracterizando-o como uma "flagrante interferência" nos assuntos internos do país.

A Síria afirma que tem derrotado "terroristas e gangues armadas" e garante que ao menos 2 mil membros das forças de segurança foram assassinados. A ONU diz que cerca de 5 mil pessoas morreram desde o início da repressão, em março do ano passado.

A Rússia, um dos países com poder de veto no Conselho, disse que consideraria "propostas construtivas" para colocar um fim à violência na Síria, mas se opunha ao uso da força ou sanções contra o seu aliado.

A Rússia e a China já vetaram uma resolução que aplicava sanções contra o país . Diplomatas afirmam que governos europeus e árabes estão planejando uma nova resolução que esperam submeter ao voto do Conselho no começo da semana que vem.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou nesta quinta-feira o assassinato de um alto funcionário do Crescente Vermelho sírio e pediu a Damasco para "investigar o crime e levar seus responsáveis à justiça", segundo seu porta-voz.

Ban destacou que o alvo era "um veículo que mostrava claramente o emblema do Crescente Vermelho" e "recordou a todos a obrigação de respeitar e proteger os trabalhadores de entidades humanitárias durante suas missões".

Abdelrazak Jbeiro, secretário-geral do Crescente Vermelho na Síria e presidente da organização em Idleb, foi assassinado perto de Khan Cheikhoun quando estava dentro de um veículo da organização. Segundo os meios oficiais sírios, Jbeiro foi vítima da ação de "um grupo terrorista".

Com AP e AFP

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