Chávez chama Kadafi de amigo e propõe "comissão de paz"

Presidente da Venezuela acusa Estados Unidos de promoverem a guerra para se apropriar do petróleo da Líbia

BBC Brasil |

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs a criação de uma comissão internacional de paz para mediar o conflito na Líbia e acusou os Estados Unidos de "promoverem a guerra", interessados na apropriação do petróleo líbio.

"Atuemos políticamente, não nos deixemos levar pelos tambores da guerra", afirmou Chávez, em Caracas, ao convocar a comunidade internacional a reagir para estabelecer uma "agenda de paz" para o Oriente Médio. "Temos que conversar com eles, com os opositores, que não sabemos quem são, mas alguém deve assumir a responsabilidade porque já tomaram a metade de um país", afirmou Chávez.

O presidente venezuelano disse que a comissão de paz seria similar ao grupo de amigos da Venezuela, impulsionado pelo governo do Brasil, durante a crise política venezuelana entre 2002 e 2003.

Aliado

Para Chávez, que é considerado principal aliado da Líbia na região, "ninguém sabe ao certo" o que está acontecendo no país e que por essa razão não condenaria seu "amigo" Kadafi à distância. "Como todo mundo diz que Kadafi é um assassino, Chávez também tem que dizer?", questionou. "Não me consta, e à distância não vou condenar. Seria um covarde em condenar a quem tem sido amigo por muito tempo", afirmou o presidente venezuelano.

Chávez disse ter "certeza" de que os Estados Unidos estão "exagerando" e "distorcendo" os fatos que estão ocorrendo na Líbia para justificar uma invasão militar. "Disseram hoje que estão prontos para apoiar as forças opositoras e que não descartam um opção militar. Estão enlouquecidos pelo petróleo líbio", afirmou.

Pressão internacional

A reação de Chávez acontece no mesmo dia que a União Europeia decidiu aumentar a pressão sobre Kadafi, ao congelar as contas de seus familiares nos países da região, além de estabelecer um bloqueio comercial com o país, que inclui um embargo de armas e munições e o congelamento de bens do líder líbio Muamar Kadafi nos países membros do bloco.

Esta medida é uma resposta à resolução das Nações Unidas, que decidiu, no sábado, estabelecer um embargo à venda de armas, o congelamento de bens da família do líder líbio, além da apresentação de uma denúncia contra ele por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.

Em entrevista à BBC e à rede ABC, Kdafi disse que ele é amado por todo o seu povo e disse ter sido traído pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais que hoje exigem sua saída do poder.

Relatos indicam que centenas de pessoas morreram nos confrontos e que o líder líbio perdeu controle do leste do país, onde estão as principais jazidas de petróleo.

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