Chanceler sírio acusa Ocidente por repressão de regime de Bashar

Em discurso na Assembleia da ONU, Walid Al-Muallem diz que críticos externos são responsáveis por atrasos em reformas do país

iG São Paulo |

AP
Chanceler sírio, Walid al-Muallem, discursa perante a 66ª Assembleia Geral da ONU
Ignorando a escalada de mortes na sangrenta repressão do governo contra o dissenso, o ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid Al-Muallem, acusou nesta segunda-feira os críticos externos pela violência e pelos atrasos na implementação de reformas democráticas pelo presidente Bashar al-Assad. Segundo Muallem, os países ocidentais tentam semear o "caos total" na Síria com o objetivo de "desmantelar" o país.

Enquanto Europa e EUA pressionam em favor de sanções da ONU contra a Síria, o chefe da diplomacia síria afirmou em discurso na 66ª Assembleia Geral da ONU que as manifestações tornaram-se um "pretexto para intervenções estrangeiras".

Al-Muallem afirmou também que os governos estrangeiros buscavam sabotar a convivência entre os diferentes grupos religiosos na Síria. De acordo com o chanceler, o povo sírio está "decidido a rejeitar qualquer forma de intervenção estrangeira".

"Como poderíamos explicar de outro modo as provocações midiáticas, o financiamento e o armamento do extremismo religioso?", disse o chanceler sírio. "Para qual outro objetivo poderia servir, além de semear o caos total que levaria ao desmantelamento da Síria?"

As acusações contra o Ocidente foram feitas em meio a informações de que, desde domingo, vários tanques bloquearam estradas e áreas da cidade de Al-Rastan, de acordo com um ativista dos Comitês de Coordenação Local.

A União Europeia e os Estados Unidos já impuseram sanções ao regime do presidente Bashar Al-Assad por causa da sangrenta repressão das manifestações que deixaram mais de 2,7 mil mortos. Eles pressionam o Conselho de Segurança a adotar sanções, mas Rússia e China, dois membros permanentes, opõem-se.

Sanções contra a Síria

Também em pronunciamento na Assembleia Geral, o ministro chinês de Relações Exteriores, Yang Jiechi, fez um apelo para que a comunidade internacional seja prudente em relação à Síria. Yang manifestou-se contrário a qualquer ação internacional contra a Síria.

"A comunidade internacional deve respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial da Síria, atuar e reagir com prudência para evitar novos transtornos que ameaçariam a paz regional", disse o chefe da diplomacia chinesa.

O discurso foi feito depois de a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ter pedido, durante uma reunião com Yang, o apoio da China a uma forte ação do Conselho de Segurança contra a Síria. Sua conversa "está relacionada à necessidade de uma forte resolução pelo fim da violência", disse um funcionário do Departamento de Estado que pediu para não ser identificado.

Ao se dirigir à Assembleia Geral da ONU na quarta-feira , o presidente americano, Barack Obama, pediu sanções contra a Síria, dizendo que não há desculpa para a inação enquanto o governo sírio tortura e mata pessoas.

*Com AP e AFP

    Leia tudo sobre: síriaassadmundo árabeeuaueonu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG