Chanceler líbio abandona governo Kadafi

Deserção ocorre enquanto forças de oposição a líder líbio voltam a perder terreno e abandonam antigos redutos no leste do país

BBC Brasil |

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A chancelaria britânica anunciou nesta quarta-feira que o ministro de Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, desembarcou em Londres e disse a funcionários do governo britânico que deixou seu posto.

"Podemos confirmar que Moussa Koussa chegou ao aeroporto de Farnborough (Londres) em 30 de março, vindo da Tunísia. Ele viajou até aqui por livre vontade. Ele nos disse que está deixando seu posto. Estamos discutindo isso com ele e daremos mais detalhes no momento apropriado", disse um porta-voz da chancelaria britânica que não quis ser identificado.

Um porta-voz do governo líbio afirmou que Koussa está viajando em missão diplomática, mas fontes do governo britânico disseram à BBC que ele foi a Londres para fugir do regime Kadafi. "Moussa Koussa é uma das figures mais antigas do governo Kadafi e seu papel é representar o regime internacionalmente - algo que ele não está mais disposto a fazer", disse o porta-voz da chancelaria britânica.

O editor de política da BBC Nick Robinson diz que "está claro que ele (Koussa) não está mais preparado para representar o regime Kadafi". A chegada do chanceler da Líbia ocorre num momento em que a Grã-Bretanha se prepara para expulsar cinco diplomatas líbios. O chanceler britânico, William Hague, disse a parlamentares que os cinco poderiam ameaçar a segurança da Grã-Bretanha.

Recuo

Nesta quarta-feira, forças contrárias a Kadafi voltaram a perder terreno e abandonaram antigos redutos na costa oriental da líbia. Um correspondente da BBC em Brega diz que as forças de Kadafi estão em vantagem e os rebeldes ali parecem ter perdido a força de vontade para lutar, ainda que planejem voltar à cidade nesta quarta-feira.

Relatos dão conta de intensos ataques das forças de Kadafi na cidade de Misrata, na costa oeste, e de combates entre Ras Lanuf e Bin Jawad. A rádio Voz da Líbia Livre, controlada pelos rebeldes, diz que o recuo de Ras Lanuf e Bin Jawad foi uma ação "tática" por causa da ausência de ajuda aérea. A rádio também admitiu ter errado ao anunciar que Sirte, cidade natal de Kadafi, havia sido tomada pelos rebeldes. No leste, em Ajdabiya, o correspondente da BBC Ben Brown relata que "os rebeldes não têm o poder de fogo para enfrentar as tropas de Khdafi, que parecem mais resilientes".

'Tropas enfraquecidas'

O recuo rebelde começou na terça-feira e se seguiu a um breve período de vitórias dos opositores, com o auxílio dos bombardeios da coalizão internacional que tem atacado as tropas pró-Kadafi. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que as forças do líder líbio haviam sido bastante enfraquecidas pelos ataques.

Os países-membros da coalizão estão analisando a possibilidade de armar os rebeldes. Os EUA e a França dizem que estão mandando enviados ao bastião rebelde de Benghazi para fazer contato com a administração interina local.

O analista de assuntos diplomáticos da BBC Jonathan Marcus diz que se os reveses dos rebeldes prosseguirem, deve crescer a pressão para armar os rebeldes. Mas ele ressalta que os efeitos adversos de fornecer armas a opositores já foram vistos em países como Bósnia e Afeganistão e devem servir de alerta para as forças estrangeiras.

A reunião internacional sobre a Líbia, realizada em Londres nesta terça-feira, foi concluída com a decisão de montar um grupo - que inclua governos árabes - para coordenar a eventual ajuda à Líbia caso Kadafi deixe o poder.

Estima-se que as seis semanas de confrontos no país já tenham deixado milhares de mortos. Nesta quarta-feira, a agência estatal líbia Jana disse que as forças estrangeiras bombardearam alvos civis na cidade de Surman (a oeste de Trípoli, a capital), sem informar o número de mortos. A informação não foi confirmada.

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