Chanceler da Síria recebe delegação que inclui enviado do Brasil

Governo sírio leva jornalistas a Hama para mostrar retirada de tanques, mas violência continua em outras cidades

iG São Paulo |

O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, recebeu nesta quarta-feira em Damasco uma delegação de Brasil, Índia e África do Sul que tenta negociar um fim para a crise política na Síria. A onda de violência continua em várias cidades do país enquanto tanques começam a deixar Hama, que parece estar sob controle do governo.

AP
Imagem de vídeo publicado na internet que diz mostrar tanques em Deir el-Zour (09/08)
De acordo com a agência oficial Sana, durante a reunião Muallem disse aos enviados que a Síria "é favorável ao diálogo nacional e à aplicação de reformas" já aprovadas pelo presidente Bashar Al-Assad .

O chanceler justificou as ações militares em várias cidades dizendo que "grupos armados têm cometido assassinatos e atos de sabotagem". Segundo Muallem, o Exército está "restabelecendo a ordem e a segurança" nessas cidades.

O enviado brasileiro que participou da reunião foi o subsecretário para o Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Paulo Cordeiro.

Em comunicado, representantes do Brasil, Índia e África do Sul, grupo denominado pela sigla Ibas, disseram que o presidente sírio reconheceu erros no início da repressão contra manifestantes opositores. Segundo o texto, Assad reconheceu que “alguns erros foram cometidos pelas forças de segurança na fase inicial dos distúrbios e que os esforços serão realizados para impedir a recorrência”.

O comunicado disse também que Assad prometeu implementar reformas políticas, econômicas e sociais, incluindo a revisão da Constituição, até o fim do ano. O líder sírio teria negado, no entanto, que o governo seja responsável pelos atos de violência envolvendo os protestos na região.

O governo do Brasil rejeita qualquer medida de ingerência ou sanção à Síria, mas defende o respeito aos direitos humanos e a introdução de reformas exigidas pela população. Na segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff defendeu a busca pelo diálogo e por uma solução pacífica para a crise política, dizendo que o uso da força “deve ser sempre o último recurso”.

A reunião aconteceu um dia depois de o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, ter sido recebido por Bashar Al-Assad , durante uma reunião na qual expressou sua preocupação com a onda de violência no país.

Sanções

Nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou novas sanções contra a Síria, desta vez contra o Banco Comercial da Síria e sua subsidiária baseada no Líbano, o Banco Comercial Sírio-Libanês.

A Syriatel, maior operadora de telefonia móvel do país, foi incluída em uma outra ordem executiva que tem como alvo as autoridades sírias e outros responsáveis por violações aos direitos humanos na Síria. As medidas proíbem empresas e indivíduos americanos de negociar com fazerem negócio com as companhias.

De acordo com o Departamento do Tesouro, o Banco Comercial da Síria foi designado por fornecer serviços financeiros ao Centro de Pesquisas, Estudos e Ciências da Síria e ao Banco Comercial Tanchon, da Coreia do Norte, listado em 2005 pelo apoio à proliferação de armas de destruição em massa.

A Syriatel pertence a Rami Makhluf, um poderoso empresário sírio próximo ao regime que foi alvo de outra ordem executiva dos EUA em 2008 por contribuir para a corrupção pública das autoridades do regime sírio, segundo o Tesouro americano.

Retirada de Hama

Também nesta quarta-feira, segundo ativistas de direitos humanos, a repressão das forças de seguraça sírias contra manifestantes deixou ao menos 15 mortos na cidade de Homs, outra cidade que vem sendo palco de protestos contra o governo de Assad.

Em Hama, o governo sírio levou jornalistas para um tour com o objetivo de mostrar que os tanques do Exército estão deixando a cidade após semanas de operação militar. A cidade, que foi palco de alguns dos mais intensos protestos contra o regime, estava deserta e aparentemente sob total controle do governo. "Encerramos uma delicada operação na qual acabamos com os esconderijos dos terroristas", afirmou um soldado que retirava barricadas das ruas.

As ações do Exército continuam em outras cidades como Deir el-Zour, onde soldados estariam atirando aleatoriamente, segundo testemunhas. "A situação é terrível", afirmou um morador. "Padarias e farmácias estão fechadas e há escassez de comida e remédios."

Soldados também invadiram três subúrbios da capital, Damasco, e o vilarejo de Sarmin, próximo à fronteira com a Turquia, onde uma mulher teria sido morta e três outras pessoas teriam ficado feridas. De acordo com um morador de Sarmin, protestos diários acontecem na região desde o início do Ramadã, há duas semanas.

Com AFP e AP

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