Chanceler condena novas sanções da UE e diz que Síria dará exemplo democrático

Ministro rejeita interferência em assuntos internos, dizendo que país 'esquecerá que Europa está no mapa'

iG São Paulo |

AP
Chanceler sírio, Walid Moallem, fala durante coletiva em Damasco, Síria; atrás, retrato do presidente Bashar al-Assad
O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, condenou nesta quarta-feira a União Europeia (UE) por prever ampliar as sanções contra seu país pela proibição de viagem a quatro entidades com vínculos militares e a sete indivíduos. Essa será a terceira rodada de sanções impostas pelo bloco europeu à Síria em resposta à repressão violenta do regime de Bashar al-Assad contra manifestantes pró-democracia.

Para ele, os países da UE causam confusão e caos na Síria, dizendo que seu país “esquecerá” a existência da Europa e buscará alianças com outros países. "Esqueceremos que a Europa está no mapa. Vamos requisitar nossa saída da Euromed e olhar em direção ao leste e ao sul, (em busca de) qualquer mão que se estenda para nós", disse. A Euromed é uma entidade reformulada em 2008 para integrar a União Europeia e seus 16 vizinhos no Oriente Médio e no norte da África.

Falando durante uma coletiva na televisão, Moallem afirmou que em breve o governo de Damasco apresentará um "exemplo sem precedentes de democracia" no Oriente Médio, uma declaração ousada para um regime que mantém um controle autoritário da população há décadas.

"Daremos um exemplo de democracia", disse quando questionado sobre sua visão para a Síria nos últimos três meses. "Haverá justiça social, igualdade perante a lei e prestação de contas", afirmou.

A menção de Moallem à democracia, dois dias depois de um grande discurso do presidente Bashar al-Assad , é a mais recente tentativa do regime de pôr fim a três meses de amplas manifestações antigoverno. O movimento foi inspirado nor levantes pró-democracia em outros países do norte da África e Oriente Médio e persiste apesar da repressão que, segundo estimativas de ativistas, deixou ao menos 1,4 mil mortos e 10 mil presos.

Cerca de 300 soldados e policiais também teriam sido mortos nos confrontos com manifestantes. Segundo o chanceler, as mortes de alguns membros das forças de segurança indicam que a rede terrorista Al-Qaeda poderia estar por trás da violência no país. "Não posso esconder o fato de que algumas das práticas que vimos nos assassinatos de pessoal de segurança dão a indicação de que esses atos foram promovidos pela Al-Qaeda", disse.

O medo da violência na Síria levou cerca de 11 mil a deixar a Síria em direção à vizinha Turquia. Assad está no poder há quase 11 anos, depois de ter sucedido seu pai, Hafez Al-Assad, que comandou a Síria por 29 anos.

Assuntos internos

Na coletiva, o chanceler afirmou que a Síria rejeita qualquer interferência em seus assuntos internos. "Dizemos para quem nos critica na Europa que parem de interferir em assuntos sírios e fomentar a confusão com o objetivo de aplicar seus planos contrários aos interesses nacionais da Síria", disse. "Ninguém da Europa veio visitar a Síria, eles não nos escutam. O mundo não é só a Europa."

O ministro também criticou as declarações de autoridades europeias após o pronunciamento de Assad, no qual disse que a crise no país seria obra de "sabotadores" e que seu governo estudaria reformas.

O chanceler britânico, William Hague, classificou o discurso de "não convincente"; a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse estar "desapontada"; o ministro francês, Alain Juppé, afirmou acreditar que "Assad chegou a ponto de onde não se pode mais voltar".

Sanções

As declarações foram feitas em um momento em que ministros europeus reunidos em Bruxelas parecem ter chegado a um consenso sobre a ampliação de sanções em vigor desde maio contra a Síria, por causa da violência contra manifestantes de oposição.

O acordo deve estender as sanções a mais quatro entidades militares e sete indivíduos, incluindo três iranianos supostamente ligados a repressão de dissidentes do regime sírio. O governo sírio nega que o Irã tenha qualquer participação nos recentes acontecimentos no país. As sanções entrariam em vigor na sexta-feira após a aprovação dos 27 países membros da União Europeia.

Moallen comparou a adoção das medidas a uma “declaração de guerra”. "As sanções europeias têm como alvo o sustento dos cidadãos sírios”, afirmou.

*AP, BBC e Reuters

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeprotestosBashar al-Assadsançõesue

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG