Cessar-fogo entra em vigor no Iêmen no terceiro dia de violência

Vice-presidente e enviados ocidentais negociaram trégua depois que um ataque a manifestantes deixou pelo menos sete mortos

iG São Paulo |

A capital do Iêmen, Sanaa, passou por um período de calmaria nesta terça-feira, depois que um cessar-fogo negociado pelo vice-presidente do país, Abedrabbo Mansour Hadi, e enviados ocidentais, incluindo embaixadores dos EUA e do Reino Unido, entrou em vigor. Antes, forças do governo atacaram um acampamento de manifestantes, deixando sete mortos, segundo autoridades ouvidas pela BBC.

AP
O Corão é colocado sobre o corpo de Abdou Saeed Mohammed, opositor morto nos recentes ataques, em um hospital da capital iemenita, Sanaa

Após a oficialização do cessar-fogo, que entrou em vigor às 16h no horário local, somente tiros esporádicos podiam ser ouvidos na cidade, de acordo com oficiais e residentes.

A trégua foi acertada no terceiro dia de batalhas entre opositores do regime do Iêmen e as forças leais ao presidente Ali Abdullah Saleh, há 30 anos no poder, que permanece na Árabia Saudita recuperando sua saúde, após seu palácio ter sofrido um ataque. Os confrontos, que se intensificaram no domingo, deixaram cerca de 60 mortos, em sua maioria, manifestantes.

Em Genebra, a ONU afirmou que quatro crianças estavam entre os mortos dos ataques durante o domingo e a segunda-feira. Marixie Mercado, porta-voz da Unicef, disse que 18 menores estavam feridos.

Enviados da ONU e do Conselho de Cooperação do Golfo chegaram ao Iêmen na segunda, em uma tentativa de parar o derramamento de sangue e chegar a um acordo.

Distritos residenciais onde vivem funcionários do alto escalão do governo foram atacados nesta terça, além de outras áreas da capital, segundo informou a agência Associated Press.

De acordo com testemunhas ouvidas pela BBC, atiradores do governo dispararam contra os manifestantes dos telhados das casas em Sanaa, e o principal acampamento dos manifestantes, na Praça da Mudança, ficou sob intenso ataque.

Os médicos afirmam que três soldados da oposição, três manifestantes e um civil foram mortos pelos disparos no acampamento, onde acontecem centenas de protestos pedindo a renúncia do presidente.

Autoridades iemenitas negam que os soldados tenham como alvos civis ou manifestantes pacíficos, dizendo à BBC que a agitação foi iniciada pelas forças da Al-Qaeda ligadas com a oposição.

* Com AP

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