Centenas de milhares protestam no Oriente Médio e Norte da África

Manifestantes no Iraque, Iêmen, Bahrein, Egito, Tunísia, Jordânia exigem prestação de contas de líderes e se solidarizam com Líbia

iG São Paulo |

Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas no Oriente Médio e norte da África nesta sexta-feira para exigir a prestação de contas de seus líderes e expressar solidariedade ao levante na Líbia que o líder Muamar Kadafi está tentando suprimir pela força .

No Iraque, manifestações reivindicando melhores serviços públicos saíram do controle em muitos lugares. Os manifestantes queimaram prédios, e as forças de segurança atiraram contra a multidão em Bagdá, Mossul, Ramadi e na Província de Salahuddin, no norte da capital, deixando pelo menos cinco mortos .

Passeatas em grande escala no Iêmen pareceram preceder marchas mais pacíficas e até mesmo festivas. Mais de 100 mil saíram às ruas nesta sexta-feria, depois que o presidente prometeu na quarta-feira não reprimir as demonstrações.

No Egito, dezenas de milhares se concentraram na praça Tahrir do Cairo, que virou símbolo da revolta que forçou a renúncia de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro . Os manifestantes exigem a formação de um novo governo e o julgamento do ex-presidente egípcio, que se retirou para a cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai.

O Egito vive um período de transição política após a renúncia, mas a maioria dos ministros e o chefe do gabinete, Ahmed Shafiq, procedem do regime anterior . "Não precisamos desse governo, queremos um novo que possamos escolher", disse o jovem manifestante Omar el-Guendi.

A concentração coincidiu com as orações do meio-dia desta sexta-feira, a celebração religiosa semanal mais importante para o mundo muçulmano. Os manifestantes levavam bandeiras e cartazes, e muitos deles estavam com as caras pintadas com as cores da bandeira egípcia.

No Bahrein, manifestações pró-democracia bloqueou quilômetros das estradas e rodovias centrais em Manama, capital. Em uma mudança em relação à terça-feira, quando os manifestantes antigoverno atraíram mais de 100 mil para a Praça Pérola, nesta sexta foram os líderes religiosos que convocaram a população a tomar as ruas. Isso pode mudar a dinâmica no Bahrein, onde os xiitas são a maioria, mas os governantes pertencem à minoria sunita.

Na Jordânia, milhares saíram novamente às ruas de Amã e outras cidades para exigir reformas políticas, entre elas a dissolução da Câmara baixa do Parlamento. A principal manifestação ocorreu na capital e saiu da Grande Mesquita de Hussein, onde se reuniram líderes opositores, sindicalistas e ativistas independentes.

Os participantes da manifestação cantaram palavras de ordem para exigir reformas políticas, o fechamento da embaixada israelense em Amã e a restauração da Constituição de 1952, que previa a formação de governos representativos. Os manifestantes também traziam cartazes em apoio às revoltas contra o regime de Muamar Kadafi na Líbia.

Os protestos na Jordânia começaram há seis semanas, no calor das revoltas do Egito e da Tunísia , e as exigências da população se centram principalmente em reformas como a modificação da Lei Eleitoral, muito criticada pela oposição. Diante da pressão das ruas, o rei Abdullah 2º formou um novo governo, pedindo que promova reformas políticas reais e rápidas, e que dialogue com todos as forças políticas.

Na Tunísia, onde começaram em dezembro os protestos que serviram como um rastilho de pólvora no mundo árabe , milhares se concentraram na frente do Palácio de Governo, na medina do centro de Túnis, para pedir a renúncia do Executivo de transição tunisiano e do primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi.

A praça da velha medina de Túnis se transformou poucos dias depois da fuga do presidente deposto, Zine el-Abidine Ben Ali, no centro dos protestos populares contra o governo, especialmente dos habitantes das regiões mais abandonadas do interior do país como Sidi Buzid e Kaserin.

*Com EFE, AFP e New York Times

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