Operação contra regime líbio também ganha apoio dos Emirados Árabes enquanto ataques e confrontos continuam

Avião do Catar decola em Souda Bay, na Grécia, para participar de ação militar na Líbia
AFP
Avião do Catar decola em Souda Bay, na Grécia, para participar de ação militar na Líbia
O Catar se tornou nesta sexta-feira o primeiro país árabe a participar de missões de combate na Líbia, um dia depois de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ter concordado em liderar a ação militar contra o regime do líder líbio, Muamar Kadafi. Segundo autoridades americanas, o caça do Catar sobrevoou a Líbia em uma missão conjunta com aeronaves francesas.

"O fato de uma nação árabe se juntar a nós e voar com nossas aeronaves mostra que o mundo quer que a inocente população da Líbia seja protegida das atrocidades perpetuadas pelas forças pró-regime", afirmou a major americana Margaret Woodward.

Os Emirados Árabes também colocaram 12 aviões de guerra à disposição da coalizão internacional, mas nenhum deles sobrevoou a Líbia até agora. A maior parte dos 22 países da Liga Árabe concordou com a imposição de uma zona de exclusão aérea para frear ataques das forças pró-Kadafi, mas por enquanto não está previsto que nenhuma outra nação se envolva diretamente na ação militar.

Nesta sexta-feira, aviões britânicos e franceses atacaram veículos e bases das forças de Kafadi na cidade de Ajdabiya, onde continuam os confrontos entre as forças e os rebeldes - assim como em Misrata. Fontes do governo americano disseram que Estados Unidos lançaram 15 mísseis em regiões próximas à Trípoli, a partir do mar Mediterrâneo.

Otan

Na quinta-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham, anunciou que Washington está transferindo para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) o comando e o controle da zona de exclusão aérea sobre a Líbia. Hillary indicou que a Aliança eventualmente protegerá os civis líbios, assegurará a aplicação do embargo de armas e apoiará os esforços de ajuda humanitária no país do norte da África.

"Estamos tomando o próximo passo: juntamente com nossos outros aliados da Otan concordamos em transferir para a organização o controle do bloqueio aéreo", disse. "Todos os 28 países-membros também autorizaram suas autoridades militares a desenvolver um plano de operações para que a Otan assuma a missão mais ampla de proteção dos civis."

Washington esperava que a Aliança chegasse a um consenso nesta quinta-feira sobre assumir o total controle da missão militar autorizada pela ONU, incluindo a proteção dos civis líbios e o apoio aos esforços de ajuda humanitária em campo. Ainda não está claro quando os aliados poderão chegar a um acordo sobre a questão.

O anúncio de Hillary foi feito depois de o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, ter anunciado que a Aliança assumirá o comando das operações de vigilância da zona de exclusão aérea sobre o país do norte da África. De acordo com fontes da Aliança, o controle do bloqueio aéreo será entregue domingo à noite.

Sem legitimidade

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse à BBC que Kadafi perdeu legitimidade após ter usado armamentos pesados para combater civis do seu país, mas afirmou que o destino do governante deve ser decidido pelo povo.

"O coronel Kadafi tem usado todos os meios militares para matar o seu próprio povo, usando aviões, artilharia pesada e tanques", disse.

O secretário-geral negou que a remoção de Kadafi fosse o principal motivo da intervenção militar internacional. "O objetivo principal é proteger a população civil. (A intervenção) não está visando mudar o regime ou atingir o coronel Kadafi ou outra pessoa específica", afirmou. Para Ban, a ação internacional na Líbia pode criar um ambiente político que leve a uma discussão sobre mudanças no regime. "Ao realizar ações militares (na Líbia), isto pode criar uma cerca atmosfera política, onde o povo líbio pode discutir seu próprio futuro, incluindo seu líder".

Ban acredita que a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, impondo uma zona de exclusão aérea na Líbia e autorizando ações militares contra posições do governo, está sendo eficiente.

"Eu acho que (a resolução) provou ser muito efetiva. Ela impediu novas agressões (...) pelas autoridades líbias e foi capaz de proteger os civis em Benghazi e em algumas outras áreas. Mas temos que ver. Eu acredito que a superioridade do poder militar vai prevalecer", afirmou ele à BBC.

Com BBC e AP

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