Capital da Líbia é palco de confrontos armados

Grupos armados de Misrata e Trípoli iniciaram o confronto que deixou ao menos dois mortos na capital do país

iG São Paulo |

Confrontos armados explodiram nesta terça-feira no centro de Trípoli, capital da Líbia, mais de dois meses depois da morte do ditador Muamar Kadafi .

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Não se sabe ao certo o grau de violência, nem o motivo concreto pelo qual se deram os choques entre grupos militantes rivais. Segundo a agência Associated Press, duas facções dos antigos rebeldes do país, que uniram forças para derrubar Kadafi , se confrontaram por horas, utilizando armamento pesado.

Os militantes de Trípoli e um grupo separado de combatentes da cidade de Misrata lutaram com metralhadoras, lança-granadas e canhões anti-aéreos. À agência de notícias, um membro do conselho militar de Trípoli disse que a batalha teve início apís a prisão de um combatente de Misrata no durante o ano-novo pelos militantes de Trípoli, por suspeita de roubo.

Na mesma noite em que foi realizada a prisão, segundo fontes ouvidas pela AP, um grupo de Misrata tentou libertá-lo, mas não conseguiu. Em vez disso, eles também acabaram detidos. Um comandante de Misrata, então, ordenou a libertação de todos os presos, exceto do primeiro, acusado de roubo.

Nesta terça-feira, outro grupo de militantes de Misrata fez uma segunda tentativa em libertar o homem. Eles abriram fogo contra um prédio no coração de Trípoli, que é usado pelo conselho militar da capital, dando início ao confronto.

Segundo a AFP, que ouviu um integrante de uma milícia que controla a zona onde está situado um edifício que era utilizado pelos serviços de inteligência do antigo regime, um grupo armado da cidade de Misrata tentou assumir o complexo em um ataque surpresa.

De acordo com a mesma fonte, a milícia rival de Misrata iniciou o ataque. Diversas milícias armadas controlam suas áreas de influência nas principais cidades da Líbia, e cada grupo usa como base algum dos antigos edifícios utilizados durante o regime de Kadafi.

Testemunhas informaram à AFP que os conflitos começaram quando o Ministério do Interior líbio tentou recuperar o controle do edifício onde funcionava o serviço de inteligência, motivando a reação armada da milícia que controla o complexo. Um dos porta-vozes do Ministério do Interior se absteve de fazer comentários, impossibilitando a confirmação dessa versão, disse a AFP.

De acordo com a AFP, os conflitos deixaram dois combatentes de Trípoli foram mortos, enquanto a AP diz que, além dos militantes da capital do país, três combatentes de Misrata também morreram.

Um membro do Conselho Militar de Misrata, Mohammed al-Gressa, disse que temia que a Líbia fosse palco de uma nova guerra civil. Ele disse comandantes dos ex-rebeldes iriam se encontrar com o Conselho Militar de Trípoli, associado ao Conselho Nacional de Transição, que governa o país. "Eu não estou otimista, porque sangue foi derramado", disse. "Eu sinto que parece uma guerra civil."

Outros membros e comandantes, entretanto, subestimaram a situação. O porta-voz do governo Ashur Shamis disse que o conflito não foi tão severo e defendeu os revolucionários como "inocentes". Ele colocou a culpa nos confrontos em "sabotadores".

"Esses escaramuças fizeram isso por animosidades individuais, mas não tem nada a ver com a revolução ou com os revolucionários", disse Shamis. "Os revolucionários reais e originais não são parte disso."

Ele insistiu que o ministro do Interior está no controle da situação. Ibrajim Beit al-Mal, porta-voz dos militantes de Misrata, concordoi. "Esses incidentes são feitos por jovens extraviados", disse. "Esses não são os revolucionários." E acrescentou: "Nosso lema é: 'Líbia está unida, e sua capital é Trípoli."

Diversos grupos de ex-combatentes revolucionários têm se confrontado repetidamente desde o fim da guerra civil de oito meses que derrubou o regime de Kadafi. A dissolução desses grupos armados, que estão divididos pelas regiões que operam, sempre foram um desafio para as autoridades da Líbia.

Enquanto cumprem um papel vital em supervisionar a segurança de instituições importantes para o Estado da capital, a posse de armas descontrolada e a falta de uma administração central de segurança deu aos militantes liberdade para manter essas áreas sob seu controle.

Com AFP e AP

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