Caça americano cai na Líbia; tripulantes são resgatados

Segundo porta-voz militar dos EUA, o acidente aconteceu por funcionamento defeituoso do jato após decolagem

iG São Paulo |

Reuters
Pessoas observam o caça F-15 Eagle que caiu perto de Benghazi, no leste da Líbia
Um caça F-15 Eagle dos EUA caiu na Líbia, disse nesta terça-feira o porta-voz do Comando da África, Kenneth Fiddler, depois de um funcionamento defeituoso. Os dois tripulantes conseguiram se ejetar do jato e foram resgatados em segurança, disse o porta-voz. O acidente não ocorreu "pelo inimigo ou por ações hostil", afirmou Fiddler citado pela rede de TV CNN.

Um piloto e um oficial de armas dentro do caça haviam decolado da Base Aérea de Aviano, na Itália, em direção à Líbia quando o avião teve problemas. Segundo o porta-voz, os dois tripulantes tiverem ferimentos leves, mas conseguiram chegar ao solo em segurança.

Um avião militar americano resgatou previamente o piloto. Rebeldes líbios haviam encontrado o segundo tripulante e "cuidaram bem dele" até que as forças de segurança "pudessem pegá-lo", disse Fiddler. Os dois estarão agora fora da Líbia, acrescentou.

Não está claro onde o avião caiu. O acidente aconteceu na terceira noite da operação "Odisseia do Amanhecer", lançada no sábado por uma coalizão internacional contra as forças de Muamar Kadafi na Líbia.

Bombardeios

A capital da Líbia, Trípoli, foi alvo na madrugada desta terça-feira, pela terceira noite seguida , de ataques aéreos e com mísseis promovidos pela coalizão internacional que tenta impor uma zona de exclusão aérea no país.

Segundo o governo líbio, os ataques deixaram vários civis mortos. As informações não puderam ser confirmadas de maneira independente. A zona de exclusão aérea foi estabelecida na semana passada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, com o objetivo de proteger civis de ataques pelas forças leais ao líder líbio.

Explosões e disparos de artilharia antimísseis foram ouvidos perto do complexo onde vive Kadafi em Trípoli, no bairro de Bab al-Aziziya. A TV estatal líbia disse que a capital estava “sob bombardeio inimigo” e que várias cidades haviam sido atacadas. “Esses ataques não vão amedrontar o povo líbio”, disse um narrador.

O porta-voz do governo líbio Moussa Ibrahim disse que a cidade de Sebha, no sul do país, foi atacada na segunda-feira. Ele disse que a coalizão também atacou “um pequeno porto pesqueiro” conhecido como Área 27, perto de Trípoli.

Na noite de domingo, um míssil havia destruído um edifício de quatro andares dentro do complexo que seria usado, segundo a coalizão internacional, como centro de comando pelas forças de Kadafi.

Kadafi está no poder na Líbia há quase 42 anos. Um levante contra ele começou no mês passado em meio a uma onda de revoltas em países árabes ou muçulmanos que já provocou as renúncias dos presidentes da Tunísia e do Egito.

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou na segunda-feira, durante visita ao Chile, que seu país deve transferir seu papel de liderança na coalizão internacional “em questão de dias” para assegurar que a responsabilidade pela imposição da resolução da ONU seja dividida. Ele também afirmou que os EUA desejam ver Kadafi fora do poder , mas insistiu que único objetivo da campanha militar da coalizão é proteger civis.

Além dos Estados Unidos, participam da coalizão França, Reino Unido, Canadá e Itália. Outros países, incluindo Espanha, Bélgica, Dinamarca e Catar já anunciaram que se juntarão à coalizão.

Confrontos na madrugada

Confrontos entre as forças leais a Kadafi e os rebeldes opositores continuaram pela madrugada, apesar do anúncio de um cessar-fogo pelo governo. No leste do país, o Exército líbio conseguiu conter um avanço rebelde sobre a cidade de Ajdabiya.

Rebeldes na terceira maior cidade da Líbia, Misrata, disseram que foram alvo de ataques das forças de Kadafi na segunda-feira. Segundo a TV Al-Jazeera, estações de radares em duas bases aéreas ao leste de Benghazi, a segunda maior cidade do país e principal base rebelde, também foram atingidas.

A resolução da ONU que autorizou a ação militar na Líbia vem provocando tensões na comunidade internacional. O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, descreveu a resolução como "defeituosa e falha".

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, criticou na segunda-feira a severidade dos bombardeios contra a Líbia. O apoio da Liga Árabe havia sido considerado fundamental para a aprovação da resolução da ONU. Divisões também começam a aparecer entre os países da Otan, a aliança militar ocidental. A Noruega disse que seus caças somente tomarão parte nas ações quando ficar claro quem está no comando geral.

*Com BBC

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