Brasileiros temem falta de dinheiro, diz irmão de engenheiro

Segundo Paulo Carvalho, seu irmão está seguro, mas não sabe o que fazer quando dinheiro acabar: todos os bancos estão fechados

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Os 130 funcionários brasileiros da construtora Queiroz Galvão estão vivendo em casas e hotéis na cidade de Benghazi, na Líbia, principal foco dos protestos contra o ditador Muamar Kadafi. As pessoas contam com a ajuda de empregados de uma companhia parceira da Queiroz Galvão na Libia, que fazem as compras na rua. No momento, o problema mais grave é que os bancos estão todos fechados e o dinheiro é só o que eles têm em mãos. O relato é do engenheiro mecânico pernambucano Paulo Carvalho, funcionário da Queiroz Galvão.

De férias no Brasil, Paulo deixou a Líbia poucos dias antes dos protestos, mas mantém contatos diários por telefone com seu irmão, André Carvalho, que é engenheiro civil e também trabalha na Libia pela empreiteira. Segundo Paulo, os brasileiros estão longe dos protestos e tiroteitos, mas estão com muito medo: "Estão todos tranquilos dentro da casa, não há feridos e estão em segurança. Por enquanto há comida e água”, relata o engenheiro. "Mas todo mundo quer sair de lá e voltar para o Brasil imediatamente", afirma.

Paulo conta que os órgãos ligados ao governo da Líbia foram atacados e o dinheiro de reserva dos brasileiros pode durar de cinco a dez dias. A comunicação é precária: não há internet na casa de seu irmãoe os poucos celulares só recebem ligações. Por enquanto, a situação é tranquila na casa, mas os brasileiros aguardam a transferência para a capital, onde os conflitos são menos intensos.

 “A questão é o governo brasileiro agilizar a retirada, enquanto não acabam as condições que eles têm lá. É preciso agilizar para não perder o controle da situação, por falta de dinheiro ou outras circunstâncias”, alerta o engenheiro brasileiro.

Retorno

Os brasileiro em Benghazi aguardam autorização do governo líbio para que possam deixar a cidade. De acordo com o Itamaraty, o governo líbio ainda não havia autorizado até por volta das 17h desta segunda-feira (hora de Brasília) que um avião fretado pela empresa Queiroz Galvão pousasse na segunda maior cidade do país para transportar os brasileiros funcionários da construtora ou seus familiares.

Segundo comunicado da Queiroz Galvão, “todos estão bem, e está sendo providenciada sua transferência de Benghazi para Trípoli, capital daquele país”.

O Itamaraty confirmou que o embaixador do Brasil no país, George Ney de Souza Fernandes, visitou os brasileiros em Benghazi e verificou que estão todos bem, ainda que um pouco preocupados. De acordo com a Chancelaria brasileira, há outros cerca de 500 brasileiros na Líbia, concentrados principalmente na capital, Trípoli.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confirmou nesta segunda-feira que dez deles trabalham para a petroleira brasileira em prospecção de petróleo em áreas próximas a Trípoli. Gabrielli informou, segundo a Agência Brasil, que não foram registrados problemas com nenhum deles.

*Com BBC

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