Brasileiros na Líbia "estão bem", diz construtora

Itamaraty tenta conseguir permissão para que aeronave fretada pela empresa Queiroz Galvão retire seus funcionários de Benghazi

iG São Paulo |

A construtora Queiroz Galvão afirmou nesta segunda-feira que os 130 funcionários brasileiros da empresa que trabalham em Benghazi, na Líbia, estão "bem" e aguardando transferência para a capital, Trípoli. Desde quarta-feira, a cidade de Benghazi, segunda maior do país, é epicentro dos protestos contra o presidente Muamar Kadafi.

Procurada pela reportagem do iG , a assessoria de imprensa da Queiroz Galvão disse que os colaboradores brasileiros trabalham em "projetos e obras" na Líbia, e que a empresa está em permanente contato com o Itamaraty, com a Embaixada do Brasil em Trípoli e com as autoridades locais.

No domingo, o Itamaraty informou que o embaixador George Ney de Sousa Fernandes negocia com o governo líbio uma autorização para que um avião fretado pela Queiroz Galvão pouse em Benghazi e retire os brasileiros que quiserem deiar o local. Até agora a autorização ainda não foi concedida.

Reuters
Foto postada no Facebook mostra suposto protesto em Benghazi, sem informar data e autor da imagem - a imprensa internacional sofre restrições de trabalho na Líbia
O Itamaraty estima que entre 500 e 600 brasileiros vivam na Líbia. Segundo a Agência Brasil, além dos funcionários da Queiroz Galvão, também há funcionários das empresas Odebrecht e Petrobras no país.

Cidade portuária, Benghazi é atípica em relação ao restante do país por ter um histórico de antagonismo com o regime de Kadafi. No domingo os opositores tomaram o controle da cidade, tendo inclusive invadido bases das forças de segurança e roubado armas.

Para celebrar sua vitória, manifesfantes fizeram um buzinaço e marcharam gritando palavras de ordem como "longa vida à Líbia". No principal tribunal da cidade, a atual bandeira do país foi substituída pela antiga, da época da monarquia, encerrada em 1969 com o golpe militar que levou Kadafi ao poder.

Os protestos chegaram a Trípoli  na noite de domingo. Segundo testemunhas, opositores tomaram a Praça Verde, no centro da cidade, e entraram em choque com forças de segurança e partidários de Kadafi. Manifestantes antigoverno também teriam tomado os prédios de duas emissoras estatais do pais. Na manhã desta segunda-feira, era possível ver fumaça em pelo menos dois locais de Trípoli, onde estão localizadas uma delegacia de polícia e uma base das forças de segurança. Escolas, prédios do governo e lojas estão fechadas.

Discurso e mortes

Enquanto os confrontos na Praça Verde aconteciam, o filho de Kadafi, Saif el-Islam Kadafi, afirmou que seu pai e as forças de segurança combaterial a revolta popular "até o último tiro".

Na tentativa de acalmar a população, o filho do líder líbio concedeu uma entrevista à TV estatal dizendo que o país está à beirra da guerra civil por causa de um "complô estrangeiro". Ele também prometeu reformas constitucionais para frear os protestos.

De acordo com a organização americana Human Rights Watch, os protestos na Líbia deixaram pelo menos 233 mortos desde 17 de fevereiro. Entre as vítimas, 60 morreram no domingo em Bengazhi.

Mundo árabe

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes e muçulmanos. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Em fevereiro, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, também ocorreram protestos em países como Bahrein, Argélia, Iêmen, Marrocos e Jordânia.

Com BBC, AP e Reuters

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