Brasileiros esperam sair da Líbia nesta terça, diz filha

Fernanda Flecha, de Belo Horizonte, tem um pai, um tio e um primo em Benghazi. Eles disseram que estão prontos para deixar o país

Denise Motta, iG Minas Gerais |

A estudante mineira Fernanda Flecha, 18, vive momentos de apreensão por causa dos protestos na Líbia contra o ditador Muamar Kadafi. Seu pai, Victor Flecha, é gerente de Recursos Humanos da Construtora Queiroz Galvão e está na Líbia há um ano. Além do pai, Fernanda tem um tio e um primo em Trípoli, Wilson Flecha e Marcos Quintana, respectivamente.

Os dois se comunicam com a família em Belo Horizonte com mais facilidade que Victor. E conseguiram avisar nesta segunda-feira que irão retornar ao Brasil em um voo que parte amanhã à tarde da capital da Líbia. Wilson e Marcos trabalham para a Construtora Odebretch e devem retornar com um grupo de aproximadamente 40 brasileiros, estima a estudante.

Em Benghazi, foco principal de manifestações contra Kadafi, Victor tenta um meio de transporte para Trípoli (capital da Líbia) e houve informações não confirmadas de que haveria um navio para levar funcionários da construtora, de Benghazi a Tripoli, pelas águas do Mar Mediterrâneo. A distância por terra entre os dois locais ultrapassa mil quilômetros.

Fernanda conta ainda que teve notícias diretas de seu pai no último sábado. Ele contou que trabalhou até na quinta-feira. Depois, ele e outros funcionários da empresa foram transferidos para um alojamento em uma casa, onde estocaram mantimentos. “Quando ele acompanhou os conflitos no Egito, não esperava que a onda de protestos ia chegar até a Líbia. Quando conversamos com ele pelo telefone, no sábado, ouvimos barulhos de tiros. É horrível. Estamos apreensivos”.

Muitas notícias desencontradas aumentam a expectativa da família. Uma tia de Fernanda ouviu pelo rádio que a Queiroz Galvão havia conseguido transporte aéreo para que funcionários saíssem de Benghazi rumo a Trípoli. “Parece que as pessoas em Trípoli são mais favoráveis ao governo e a situação lá é melhor que em Benghazi”, comenta a jovem.

O Ministério das Relações Exteriores estima que aproximadamente 500 brasileiros vivam na Líbia. Além da Queiroz Galvão e Odebretch, há funcionários da Petrobras trabalhando no país.

A organização americana Human Rights Watch estima em mais de 230 o número de mortos na Líbia, em decorrência de protestos contra Kadafi desde 17 de fevereiro, sendo 60 o número de mortos apenas no último domingo, em Benghazi.

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