Brasileiros esperam deixar Benghazi de navio até sexta-feira

Em meio a protestos, governos de vários países enviam balsas, aviões e navios para retirar seus cidadãos da Líbia

iG São Paulo |

Um navio contratado pela construtora Queiroz Galvão deve resgatar até sexta-feira cerca de 180 brasileiros da cidade de Benghazi, no leste da Líbia, onde ocorrem protestos contra o presidente Muamar Kadafi. Os brasileiros são funcionários da construtora e seus familiares.

De acordo com o Itamaraty, o navio deve chegar à Benghazi até quinta-feira e levar os brasileiros para Malta. O governo e a Queiroz Galvão desistiram dos planos de resgatar os brasileiros em um avião fretado, depois que o aeroporto de Benghazi ficou "sem qualquer condição de operação" por causa dos protestos.

Marcos Jordão, diretor da empresa Queiroz Galvão, está abrigando em sua casa um total de 56 pessoas, em sua maioria brasileiros, mas há também portugueses. Outros funcionários da empresa estão hospedados em um hotel local.

Em entrevista à BBC Brasil, o diretor da Queiroz Galvão contou ter andado pelas ruas da cidade na manhã desta quarta-feira e disse que o clima é de tranquilidade e que os brasileiros passam bem.

''Hoje eu andei pelas ruas não vi nenhum indício de que tenha havido conflito recente. O trânsito estava normal, só as lojas que continuam fechadas'', contou Jordão. ''O que acontece é a ansiedade. Porque não sabemos o momento exato (da partida)''.

Entre 500 e 600 brasileiros vivem atualmente na Líbia, em sua grande maioria empregados de empresas do país, como a própria Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Petrobras. Os cidadãos brasileiros que estavam em Trípoli, a capital da Líbia, já estão conseguindo deixar o país de avião, de acordo com o Itamaraty. Nessa terça-feira, cinco brasileiros foram retirados do país norte-africano em um avião da Força Aérea portuguesa.

Outros países

Governos de vários países estão enviando balsas, aviões e navios para retirar seus cidadãos da Líbia. Nesta quarta-feira, duas balsas da Turquia conseguiram retirar cerca de 3 mil de seus cidadãos de Benghazi, onde vive um grande número de turcos que trabalham para empresas de construção. As embarcações contaram com a escolta de uma fragata.

AP
Militar da Holanda serve refeição aos cidadãos holandeses retirados de Trípoli, capital da Líbia

Holanda, França, Itália e Grécia estão organizando voos de evacuação, mas alguns deles ainda não receberam autorização para pouso. A Grã-Bretanha está planejando fretar um avião para seus cidadãos, além de posicionar um navio de guerra próximo à costa da Líbia.

O governo chinês também anunciou o envio de aviões fretados e navios para retirar cerca de 40 mil chineses da Líbia. A operação conta com a colaboração da Grécia e da Itália, segundo a agência de notícias estatal grega ANA-MPA.

O Departamento de Estado americano diz ter alugado uma balsa para evacuar seus cidadãos presos na Líbia. Uma nota emitida pela embaixada do país em Trípoli diz que os americanos que desejam deixar o país devem se dirigir ao porto de As-shahab, na capital.

Áustria, Rússia, Holanda e Bulgária conseguiram enviar aviões para evacuação de seus cidadãos. Na terça-feira, Portugal conseguiu concluir a retirada de seus cidadãos de Trípoli, por meio de dois voos de um avião militar Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa, nos quais cerca de 200 pessoas foram levadas para uma base aérea na Itália.

Entre os passageiros, 130 seriam portugueses e os demais, de outras nacionalidades. Entre os portugueses, cerca de 30 trabalham para a Zagope, a sucursal portuguesa da construtora brasileira Andrade Gutierrez.

O brasileiro José Carlos Ribeiro foi receber os colegas no aeroporto de Lisboa e contou à BBC Brasil que escapou por pouco de ficar preso na Líbia. “A cada 90 dias, temos direito a nove dias fora do país. Na semana passada, eu perguntei se era para retornar para a Líbia e disseram que estava tudo normal. Eu estava voltando para Trípoli no domingo e, quando fui pegar o avião em Roma, o voo foi cancelado”.

Além dos esforços organizados por governos, grandes companhias internacionais, muitas delas envolvidas em importantes projetos de energia na Líbia, estão organizando a retirada de funcionários do país.

A Shell afirmou ter realocado todos os seus funcionários expatriados e seus dependentes da Líbia. A italiana Eni, a maior produtora de energia no país norte-africano, disse estar retirando parte de seus funcionários. A francesa Total e a empresa de construção italiana Vinci anunciaram estar fazendo o mesmo.

Com BBC e Reuters

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