Brasileiro técnico da seleção de futebol da Líbia chega ao Rio

Comissão técnica também desembarcou com os seus familiares; Paquetá afirma que situação é tensa no país

Beatriz Merched, iG Rio de Janeiro |

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Paquetá é visto durante jogo contra Tunísia em foto de 14/06/2006, quando era técnico da Arábia Saudita
O brasileiro e técnico da seleção de futebol da Líbia, Marcos Cesar Dias de Castro, mais conhecido como Paquetá, desembarcou no aeroporto Internacional Tom Jobim por volta de 11h desta quinta-feira, juntamente com mais 13 membros da comissão técnica da seleção de futebol da Líbia e familiares.

Ele estava acompanhado pela mulher, Monica Lattari e a filha Luíza, de 13 anos. Paquetá afirmou que nos últimos dias não presenciou as manifestações e os embates entre civis e militares. “Não tínhamos contato direto com a crise, porque ficávamos dentro de um condomínio. Mas a todo instante éramos informados da situação”, disse.

A decisão de voltar ao Brasil partiu da Federação de Futebol da Líbia e do embaixador brasileiro no país, George Ney de Souza Fernandes.

Paquetá disse também que sentiu o clima de tensão nas ruas durante o trajeto entre condomínio onde estava hospedado e o aeroporto. “Ontem (quarta-feira) percebi que a situação não estava boa. Vi brigas e confusão na rua.”

O técnico declarou também que, apesar disso, há líbios que afirmam estar satisfeitos com o regime de Kadafi. Por causa da situação de emergência, o embaixador brasileiro conseguiu autorizar o embarque de toda a comissão técnica e dos seus familiares sem o visto de saída.

O voo que trouxe a comissão de futebol saiu da capital da Líbia, Trípoli, e fez escala na Itália e em São Paulo antes de chegar ao Rio.

Outros brasileiros

Um grupo de funcionários da empresa brasileira Andrade Gutierrez que estava na Líbia desembarcou na manhã desta quinta-feira no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. A empresa fretou o voo de Trípoli para a capital paulista.

Um avião fretado pela construtora Odebrecht com 446 pessoas a bordo, incluindo 114 brasileiros, chegou nesta quinta-feira a Malta, no Mar Mediterrâneo, vindo da capital da Líbia. Esse foi o primeiro dos três voos que a empresa brasileira anunciou para retirar funcionários e seus familiares do país.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Odebrecht, estavam no primeiro voo, que chegou a Malta às 10h (hora de Brasília), todos os 107 funcionários brasileiros da empresa e seus familiares.

Também embarcaram nesse voo quatro brasileiros que trabalham na Petrobras em Trípoli, e mais três familiares.

Outros 332 funcionários da Odebrecht, de outros 23 nacionalidades, também estavam no avião. Permanecem na Líbia 2,7 mil empregados da Odebrecht. Parte deles deve ser retirada nos outros dois voos fretados para Malta, todos com capacidade para 450 pessoas. Outros deixarão a Líbia em um navio que, segundo a construtora, partiu da cidade de Palermo (Itália) e deve chegar a Trípoli nesta tarde.

Depois de retirar as pessoas da Líbia, a empresa disse que providenciará o retorno de todos a seus países em voos de carreira ou fretados.

Também nesta quinta-feira, um navio deve chegar em Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia, para resgatar 148 brasileiros, 48 portugueses, 20 espanhóis e um tunisiano. A expectativa do Ministério das Relações Exteriores é que o navio parta ainda nesta quinta para Atenas - um trajeto que deve levar cerca de 17 horas. Na Grécia, os brasileiros e os estrangeiros deverão tomar voos de volta para seus países. A embarcação foi negociada pela construtora brasileira Queiroz Galvão em parceria com o Itamaraty.

Desde o último final de semana, o governo brasileiro negocia autorização para pousos e decolagens na Líbia. Mas houve dificuldades e vários empecilhos, segundo os negociadores. Por alguns dias, a comunicação, por telefone, também passou por dificuldades.

Segundo o Itamaraty, não há registros de casos de violência e agressão contra os cerca de 600 brasileiros que vivem na Líbia. Desde o dia 17 de fevereiro, o país vive uma onda de protestos pela renúncia do presidente Muamar Kadafi.

*Com Agência Brasil e BBC

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