Brasileiro que escapou de violência na Líbia ainda teme voltar

Ex-auxiliar técnico em time de futebol de Trípoli, Emílio Fadel diz que brasileiros eram 'amados' pela população do país

BBC Brasil |

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Mesmo após a morte do líder Muamar Kadafi , o paulista Emílio Fadel, de 32 anos, que morou por sete meses na Líbia, ainda não pensa em retornar ao país do norte da África.

Em fevereiro, com o início dos conflitos contra Kadafi, Fadel foi obrigado a deixar a Líbia, onde trabalhava como auxiliar técnico e tradutor do brasileiro Heron Ferreira, treinador do time de futebol mais popular da capital, Trípoli, o Al Ahly.

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Fadel (cabelos escuros) era auxiliar e tradutor do técnico brasileiro do time Al Ahly, de Trípoli
Em conversa com a BBC Brasil, Fadel contou sobre a ideia de voltar ao país onde, segundo ele, antes da revolução que tirou o coronel Muamar Kadafi do poder, os brasileiros eram "amados".

"Eu não penso em voltar no momento porque ainda não sinto a situação segura. Não acho um bom momento para retornar", disse ele, que ficou sete meses na Líbia junto com a namorada e a enteada.

Fadel conta que, atualmente, até desejava voltar, pois a vida no país era "boa, tranquila e agradável para os brasileiros". "Antes da revolução, eu nem pensava em sair de lá, mas depois a situação foi ficando grave e não tivemos escolha senão sair às pressas", disse. "Eu teria até um motivo pra voltar, o de buscar minhas coisas, tudo que deixei lá."

Fadel conta que não pôde levar muita coisa quando saiu da Líbia, no final de fevereiro. "Deixamos nove malas, equipamentos eletrônicos e outros pertences." Atualmente, Fadel mora no Egito, onde trabalha para uma empresa multinacional.

Carinho

Segundo ele, durante o período que ficou no país, pôde sentir um grande apreço dos líbios para com os estrangeiros, especialmente brasileiros. "Com poucas opções de lazer, os líbios eram apaixonados pelo futebol. Nas ruas éramos respeitados e admirados por sermos do país do futebol", disse.

Segundo ele, o contato com outras comunidades latinas e empregados das empresas brasileiras no país tornava a vida "muito boa".

Fadel conta que na capital, Trípoli, Kadafi era um "tabu" e havia medo nas ruas de se falar o nome dele. "Kadafi era um assunto muito sensível, pois o povo tinha quase medo de falar até o nome. Só que antes da revolução, o que percebi é que a maioria da população, especialmente em Trípoli, o apoiava loucamente", disse.

Kadafi governou a Líbia por 42 anos , após liderar um golpe que derrubou a monarquia do país, em 1969. O coronel líbio reprimiu qualquer oposição e seu regime foi acusado de torturas e assassinatos a políticos e dissidentes opositores.

O conflito e levante popular na Líbia, que começou em fevereiro, terminou no dia 21 de outubro, quando tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT), o movimento rebelde, conseguiram derrotar o último reduto das forças leais a Muamar Kadafi.

Mas a captura e morte do ex-líder líbio acarretou pressões internacionais por uma ampla investigação em torno das circunstâncias de sua morte. Kadafi foi enterrado nesta terça-feira, dia 25, segundo representantes do CNT, que agora governa o país. Um porta-voz leu uma declaração dizendo que o funeral aconteceu pela manhã e que o filho de Kadafi, Mutassim, foi enterrado com ele.

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