Brasileira afirma que pai tenta deixar a Líbia há cinco dias

Biólogo e sua família estão abrigados em casa em Benghazi com outras 50 pessoas que também tentam sair do país

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

No Brasil, a jornalista Mariana Hansen, de 27 anos, diz que já não sabe mais o que fazer para chamar a atenção das autoridades brasileiras a fim de ajudar seu pai, o biólogo Roberto Roche Moreira, de 52 anos, a deixar a Líbia e voltar para casa. Segundo ela, o pai está há cinco dias em uma casa de amigos, na cidade de Benghazi – a segunda maior do país –, onde aguarda ajuda da Embaixada Brasileira. A cidade teria sido tomada por manifestantes contra o governo de Muamar Kadafi.

Arquivo pessoal
O biológo Roberto e sua filha, Marina, durante visita a Tobruk, na Líbia, no ano passado

“Há 50 pessoas dentro da casa, entre brasileiros e portugueses. Eles estão divididos em cinco quartos, e os homens estão dormindo no chão, enquanto mulheres e crianças ficam com as camas”, conta Mariana. “Há comida, água, vela e fósforo estocados. Mas o que me preocupa é a falta de notícias. Só falo com meu pai pelo celular e está cada vez mais difícil”, ela diz.

Roberto está na Líbia há dois anos, onde vive com a mulher, Débora, e dois filhos de 16 e 5 anos. De acordo com Mariana, na última sexta-feira (19) ele teria tentado deixar o país, mas não conseguiu chegar com a família ao aeroporto por conta da multidão que tomou as ruas da cidade.

Pelas conversas que manteve com o pai, a jornalista foi informada de que o Exército está “abrindo fogo contra os manifestantes” que, segundo relatou Roberto, estariam nas ruas munidos de “paus e pedras”.

Mariana reforça que a suspensão dos serviços de comunicação – internet e telefone foram cortados pelo governo de Muamar Kadafi – preocupa ainda mais quem vive na Líbia.

"Apenas o celular está funcionando, mas só recebe chamadas. Eles não conseguem ligar. Meus avós conseguiram falar com meu pai hoje (segunda-feira, 21), e disseram que ele está bastante apreensivo. Ele pediu para a gente pressionar as autoridades brasileiras a fim de que eles consigam deixar a Líbia”, relata.

Ainda segundo a jornalista, na semana passada um funcionário da Embaixada Brasileira na Líbia teria tentado deixar a cidade de Banghazi em direção à Trípoli, capital libanesa. Ele, no entanto, não teria conseguido. “Aqui no Brasil, já entramos em contato com o Itamaraty. Eles se limitam a dizer que ‘estão tentando’, mas as famílias esperam um plano B”, diz Mariana.

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