Segundo chanceler brasileiro, Antonio Patriota, não há consenso sobre ação contra as forças sírias como houve em relação à Líbia

O Brasil, membro temporário do Conselho de Segurança da ONU, expressou preocupações nesta quinta-feira de que uma resolução das Nações Unidas condenando a violência na Síria possa aumentar as tensões no Oriente Médio.

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, também afirmou que os ataques aéreos da Organização do Tratado do Talântico Norte (Otan) na Líbia causaram hesitação entre os membros do Conselho de Segurança sobre a adoção de ações contra a Síria.

Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra militares sírios detendo dissidente na cidade de Homs, na Síria
AFP
Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra militares sírios detendo dissidente na cidade de Homs, na Síria
Grã-Bretanha e França propuseram uma nova resolução, condenando a violência na Síria, para um possível voto do Conselho de Segurança, mas Rússia e China se opuseram veementemente à ação, enquanto Brasil, Índia e África do Sul expressaram reservas.

A Síria é "muito central quando se analisa a estabilidade no Oriente Médio", disse Patriota a jornalistas na sede das Nações Unidas, em Nova York. "Eu penso que a última coisa que queremos ver ou fazer é contribuir para exacerbar tensões naquela que consideramos ser uma das regiões mais tensas do mundo", acrescentou.

Patriota disse não haver apoio árabe para ações contra a Síria, como houve no caso da Líbia, quando a resolução 1973 da ONU determinou a adoção de sanções e permitiu ações militares para proteger os civis de ataques de forças do líder Muamar Kadafi.

"Também existe uma preocupação sistêmica, eu diria, sobre a implementação da resolução 1973", disse o ministro brasileiro. "Nós acreditamos que os membros do conselho deveriam observar estritamente a linguagem e o espírito nos quais a (resolução) 1973 foi adotada".

Reflexos

Patriota acrescentou ainda que “as preocupações a respeito da implementação dessa
resolução também estão influenciando a forma como as delegações olham para outras medidas que podem afetar outros países da região e a Síria em particular", acrescentou.

O Brasil ficou muito preocupado com a violência na Síria, "portanto, continuaremos monitorando a situação de perto antes de adotar uma posição sobre esta proposta específica", ressaltou o chanceler brasileiro.

O Brasil foi um dos cinco países que se asbtiveram na votação sobre as sanções contra a Síria. O país sul-americano e a África do Sul são os dois países que as potências europeias esperam conquistar para apoiar uma resolução sobre a Síria.

Rússia e China expressaram forte oposição contra ações no país árabe e poderiam vetar qualquer resolução, afirmaram diplomatas.

*Com AFP

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