Brasil será convidado para conferência sobre Líbia, diz Sarkozy

Reunião para debater Líbia pós-Kadafi foi anunciada pelo presidente francês depois de encontro com representante dos rebeldes

iG São Paulo |

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que Rússia, China, Índia e Brasil serão convidados para a conferência sobre a Líbia, que será realizada em Paris, em 1º de setembro.

AFP
Nicolas Sarkozy (E) se reuniu com Mahmoud Jibril, número 2 do conselho rebelde líbio, em Paris

O anúncio feito pelo chefe de Estado francês sobre a "conferência de amigos da Líbia" para debater a era pós-Kadafi foi feito depois da reunião entre Sarkozy e Mahmoud Jibril, número 2 do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes líbios.

"Decidimos de pleno acordo com o primeiro-ministro inglês David Cameron convocar uma grande conferência internacional para ajudar a Líbia livre de amanhã", anunciou Sarkozy ao lado de Jibril. "Nossa intenção é convidar nossos amigos chineses, russos, brasileiros e indianos", afirmou Sarkozy ao se referir aos Brics, grupo composto pelas cinco maiores economias emergentes, que conta também com a África do Sul.

AP
Rebeldes pisam em parte de estátua do líder Muamar Kadafi em Trípoli (23/8)
Sarkozy declarou ainda que a França manterá as operações militares na Líbia sob mandato da Organização das Nações Unidas enquanto for necessário. "Estamos prontos para continuar as operações militares na Líbia sob a Resolução 1973 da ONU pelo tempo que os nossos amigos líbios precisarem", afirmou Sarkozy.

Nesta quarta-feira, o CNT ofereceu anistia e uma recompensa milionária a quem matar ou capturar  Kadafi . O anúncio é feito um dia após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi, cujo paradeiro é desconhecido.

"O Conselho Nacional de Transição anuncia que qualquer um que capturar ou matar Kadafi receberá anistia ou perdão por qualquer crime que tenha cometido", declarou o líder do CNT, Mustafa Abdul Khalil. "O regime de Kadafi não estará acabado enquanto ele não for capturado vivo ou morto."

Segundo Khalil, um empresário de Benghazi, que ele não quis identificar, se dispôs a pagar uma recompensa de 2 milhões de dinares líbios a quem capturar ou matar Kadafi. O valor equivale a entre US$ 1,3 milhão e US$ 1,7 milhão (entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões).

Fundos

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta quarta-feira para discutir o desbloqueio de bens líbios congelados, que foram congelados em 26 de fevereiro por uma resolução das Nações Unidas que impôs severas sanções a Kadafi, seus parentes e pessoas próximas ao líder líbio. Os Estados Unidos apresentarão um projeto de resolução ao conselho para desbloquear US$ 1,5 bilhão para apoiar os rebeldes líbios e suprir "as necessidades humanitárias" que a Líbia atravessa.

Também nesta quarta-feira, jornalistas estrangeiros conseguiram deixar o hotel Rixos , no centro de Trípoli, onde passaram cinco dias retidos por forças leias a Kadafi. Dezenas de profissionais foram levados em carros da Cruz Vermelha para outro hotel, o Corinthia, onde muitos se abraçaram e choraram ao chegar. O Ministério das Relações Exteriores da Itália anunciou que quatro jornalistas italianos foram sequestrados nesta quarta-feira na Líbia. A ação, aparentemente feita por forças leais a Kadafi, teria ocorrido em uma estrada entre Zawiah, 50 km a oeste da capital Trípoli.

Convocação

Em mensagem de áudio divulgada por uma rádio local, Muamar Kadafi conclamou a população a lutar "até a vitória ou a morte". "Convoco os moradores de Trípoli - jovens, velhos e brigadas armadas - a defender a cidade, limpá-la e pôr um fim aos traidores, expulsá-los", disse Kadafi. "Essas gangues querem destruir Trípoli. Eles são a maldade. Temos de lutar contra eles."

Em uma entrevista reproduzida pela TV Al-Urubah (favorável ao regime), Kadafi pediu que tribos e habitantes de outras cidades socorram a população da capital.

"Convoco às tribos de Sebha, Beni Oualid, Feran, Yufra e Anwaset para que ajudem a limpar a capital. Vocês devem tomar Trípoli e varrê-la para eliminar os ratos", afirmou.

Kadafi disse também que o seu quartel-general foi arrasado não pelos rebeldes, mas por 64 ataques aéreos conduzidos pela Otan, que realiza bombardeios em território líbio em cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Kadafi também disse que as forças leais a ele deixaram o complexo de Bab al-Aziziya porque ele não serve mais a propósitos militares ou estratégicos.

À noite, centenas de pessoas foram à Praça Verde, no centro da capital, para comemorar a tomada do complexo de Kadafi. Rebeldes atiram para o alto e balançaram bandeiras.

Com BBC, AFP e EFE

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