Brasil pede respeito à população durante transição no Egito

Governo diz estar confiante quanto à capacidade das lideranças políticas egípcias de fazer deste um momento de 'oportunidades'

iG São Paulo |

O governo brasileiro pediu nesta sexta-feira que a transição de poder no Egito, após a renúncia do presidente Hosni Mubarak , "transcorra dentro do respeito às liberdades políticas e civis e aos direitos humanos da população".

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil acompanha a situação política no Egito, que classifica de "país amigo e parceiro relevante", que desempenha "papel importante" para a estabilidade do Oriente Médio.

No texto, o governo se "solidariza" com a população egípcia "na busca da realização de suas aspirações" e diz estar confiante de que as lideranças políticas do país saberão fazer deste um momento de oportunidade e desafios, em "ambiente de entendimento e de diálogo democrático".

A renúncia de Mubarak após 18 dias de manifestações repercutiu entre líderes mundiais de todo o mundo. O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, saudou o que chamou de "um dia histórico" para o povo do Egito e disse que as mudanças são um momento crucial na história do país e do Oriente Médio.

Em um discurso na Universidade de Louisville, no Estado de Kentucky (leste do país), Biden disse que a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, deve levar a um caminho negociado e "irreversível" rumo à democracia.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o Egito tem a oportunidade "ter um governo que una as pessoas". "Estamos prontos para ajudar no que pudermos", afirmou Cameron. "Acreditamos que este governo deve começar a construir uma sociedade aberta, livre e democrática."

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que esta sexta-feira é um dia de 'grande alegria" para o Egito e desejou um "governo sem corrupção e censura" para o povo egípcio. Merkel acrescentou que espera uma transição "pacífica e irreversível".

A mais alta representante da diplomacia da União Europeia, chanceler Catherine Ashton, disse que o bloco respeita a decisão de Mubarak e apoia a formação de um governo que represente diversos setores da sociedade.

"É importante que o diálogo seja agora acelerado para a formação de um governo de ampla base que respeite as aspirações e proporcione estabilidade para o povo egípcio”, diz o comunicado. "A União Europeia está pronta para ajudar de qualquer forma que puder."

Irã, Hamas e Israel

O governo do Catar foi o primeiro do Oriente Médio a se pronunciar oficialmente sobre a saída de Mubarak, dizendo que "este é um passo positivo, importante rumo as aspirações do povo egípcio de alcançar a democracia, reforma e uma vida digna".

Para o governo do Irã, os egípcios obtiveram "uma grande vitória". "A conquista da vontade da maravilhosa nação egípcia sobre a resistência e persistência de funcionários do governo que eram dependentes das potências mundiais é uma grande vitória", disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, à emissora árabe Al-Alam. "Nós esperamos que continuem nesse caminho, e que todas as demandas históricas dos egípcios se materializem."

Horas antes do anúncio sobre a saída de Mubarak, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que está surgindo um novo Oriente Médio, livre da influência dos Estados Unidos e de Israel. “Eu os asseguro, deixem que eles (as potências do ocidente) abram os olhos. Apesar de todos os seus planos complicados e satânicos, o novo Oriente Médio – sem os Estados Unidos e o regime sionista – logo se tornarão uma realidade, graças à misericórdia divina e à vigilância e resistência das nações (na região).”

Na Faixa de Gaza, o movimento islâmico palestino Hamas deu boas-vindas ao "início da vitória da revolução" egípcia. Atento aos acontecimentos dos últimos dias no país, Israel disse esperar uma transição calma no Egito.

Com BBC e AP

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