Brasil, Índia e África do Sul pedem moderação ao governo sírio

Em novo comunicado, Ibas pede respeito aos direitos humanos, enquanto operações do Exército continuam

iG São Paulo |

AP
Imagem de vídeo publicado na internet que diz mostrar corpos em rua de Homs, alvo de operação militar (10/08)
Brasil, Índia e África do Sul pediram moderação e respeito aos direitos humanos ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, em comunicado divulgado nesta quinta-feira pelo ministério indiano das Relações Exteriores.

No texto, representantes dos três países (grupo denominado pela sigla Ibas) pedem "o fim imediato da violência e que todas as partes atuem com máxima moderação e máximo respeito aos direitos humanos e às regras internacionais".

Uma delegação com representantes de Brasil, Índia e África do Sul foi recebida na quarta-feira em Damasco pelo ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem.

O enviado brasileiro que participou da reunião foi o subsecretário para o Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Paulo Cordeiro.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, os países emergentes disseram que o presidente sírio reconheceu erros na repressão contra manifestantes. Segundo o texto, Assad afirmou que “alguns erros foram cometidos pelas forças de segurança na fase inicial dos distúrbios e que os esforços serão realizados para impedir a recorrência”.

O comunicado disse também que Assad prometeu implementar reformas políticas, econômicas e sociais, incluindo a revisão da Constituição, até o fim do ano. O líder sírio teria negado, no entanto, que o governo seja responsável pelos atos de violência envolvendo os protestos na região.

O governo do Brasil rejeita qualquer medida de ingerência ou sanção à Síria, mas defende o respeito aos direitos humanos e a introdução de reformas exigidas pela população. Na segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff defendeu a busca pelo diálogo e por uma solução pacífica para a crise política, dizendo que o uso da força “deve ser sempre o último recurso”.

Violência e sanções

Nesta quinta-feira, o Exército da Síria invadiu as cidades de Saraqeb, na fronteira com a Turquia, e atirou contra manifestantes em Qusair, na fronteira com o Líbano, onde o ataque teria deixado ao menos 11 mortos, segundo ativistas citados pela Associated Press.

De acordo com ativistas, pelo menos 100 pessoas doram presas em Saraqeb, palco de intensos protestos contra o governo. Também é possível ouvir explosões e tiros em várias partes da cidade.

Na quarta-feira, foram registrados episódios de violência nas cidades de Deir el-Zour, Sarmin, Homs e em três subúrbios da capital, Damasco.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou novas sanções contra a Síria, desta vez contra o Banco Comercial da Síria e sua subsidiária baseada no Líbano, o Banco Comercial Sírio-Libanês

Syriatel, maior operadora de telefonia móvel do país, foi incluída em uma outra ordem executiva que tem como alvo as autoridades sírias e outros responsáveis por violações aos direitos humanos na Síria. As medidas proíbem empresas e indivíduos americanos de negociar com fazerem negócio com as companhias.

De acordo com o Departamento do Tesouro, o Banco Comercial da Síria foi designado por fornecer serviços financeiros ao Centro de Pesquisas, Estudos e Ciências da Síria e ao Banco Comercial Tanchon, da Coreia do Norte, listado em 2005 pelo apoio à proliferação de armas de destruição em massa.

A Syriatel pertence a Rami Makhluf, um poderoso empresário sírio próximo ao regime que foi alvo de outra ordem executiva dos EUA em 2008 por contribuir para a corrupção pública das autoridades do regime sírio, segundo o Tesouro americano.

Com AFP, AP e EFE

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