Brasil e Reino Unido defendem texto para condenar regime da Síria

Mudança de posição do Brasil ocorre após nova onda de violência do regime de Bashar al-Assad contra ativistas opositores em Hama

iG São Paulo |

O Brasil e o Reino Unido querem apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um texto que condena o regime sírio por reprimir violentamente os manifestantes, cujo último episódio deixou entre 75 e 130 mortos.

Ambas as delegações perante a ONU trabalham para que a proposta de condenação à Damasco apresentada pelos membros da União Europeia (UE) - França, Reino Unido, Alemanha e Portugal - seja completada agora com ideias que o Brasil expôs nesta terça-feira durante as negociações no principal órgão do organismo.

O presidente rotativo do conselho e embaixador indiano perante a ONU, Hardeep Singh Puri, evitou afirmar se o texto seria uma resolução - já que não conta com o apoio da Rússia e da China - ou se seria uma declaração presidencial, algo que seria rejeitado pelo Líbano, segundo fontes diplomáticas. "Ambas as delegações continuam trabalhando e hoje seguiremos analisando o conteúdo das iniciativas. Posso dizer que o debate no Conselho de Segurança é sério e foi muito discutido independentemente de acabar na forma de uma resolução ou não", disse o diplomata indiano.

AFP
Imagens de vídeo retirado do YouTube mostram corpos ensaguentados sendo jogados de ponte em Hama, na Síria
O novo texto é resultado da combinação das iniciativas europeia e brasileira seria um passo para que o principal órgão internacional de segurança se pronuncie perante a violência que o regime de Bashar al-Assad exerce contra a população que se agravou nos últimos dias.

As propostas apresentadas pelo Brasil são "muito similares" à condenação proposta pelos países europeus e apoiada pelos EUA, afirmou Miguel Berger, embaixador alemão adjunto perante a ONU.

O diplomata alemão detalhou que a ideia do Brasil ressalta "a condenação da violência, a necessidade de que os crimes sejam investigados e que exista um acesso ao país para as equipes humanitárias da ONU".

"Não estamos tão divergentes. Há muitos pontos nos quais todos nós pensamos o mesmo, temos a mesma preocupação e por isso vamos seguir trabalhando para conseguir que a substância da condenação seja a que desejamos", acrescentou Berger.

Definição

O diplomata assinalou que o debate se centra nesta terça-feira em como o órgão vai definir esse texto, se pode adotar uma resolução, aprovar uma declaração presidencial ou emitir uma nota oficial à imprensa.

Berger reconheceu que ainda há delegações opostas à ideia de aprovar uma resolução, o mecanismo mais significativo e que se pode ser adotado por uma maioria de nove membros, à qual podem ser opor Rússia e China.

A outra opção seria de uma declaração presidencial, documento que ajuda em menor grau a implicação do conselho, mas que deve ser aprovada por unanimidade, com exceção do Líbano. "A grande incógnita é saber o que Líbano o fará", reconheceu Berger.

Segundo o diplomata, os próprios membros do Conselho diferem em relação às reformas anunciadas por Al-Assad na Síria, assim como a natureza dos episódios violentos pelo país. “Todos nós condenamos a violência contra os manifestantes pacíficos, mas há quem aponte que também há violência sectária", disse.

A pressão internacional contra o governo sírio ocorre depois de forças sírias iniciarem uma violenta operação contra a oposição em diferentes cidades do país.

Nesta terça-feira, a Itália convocou seu embaixador em Damasco como protesto pela "horrível repressão contra a população". "Propomos que todos os países da União Europeia façam o mesmo", disse um comunicado da chancelaria italiana.

Vídeo

Um vídeo postado nesta terça-feira no YouTube mostra corpos ensaguentados sendo jogados de uma ponte em um rio em Hama.

Segundo a rede de TV americana CNN, as informações sobre o vídeo são controversas. Enquanto alguns ativistas dizem se tratar de civis mortos em Hama, o governo fala em corpos de membros de forças de segurança sírias mortos por gangues.

Algumas fontes falaram à CNN que os corpos seriam de fundamentalistas islâmicos, enquanto outros ativistas entrevistados pela rede de TV chegam a duvidar da autencidade do vídeo.

A nova crise de violência na Síria começou no domingo , quando tanques invadiram Hama, palco de alguns dos mais intensos protestos contra o governo do presidente Bashar Al-Assad, e outras cidades do país. Segundo a Associated Press, a ação do Exército deixou 75 mortos, enquanto a BBC fala em mais de 130 vítimas.

De acordo com ativistas, a operação deixou mais 24 mortos na segunda-feira - dez em Hama, seis em Damasco, três em Homs, dois em Boukamal, dois em Latakia e um em Madamaiya. Além disso, mais de cem pessoas teriam sido detidas no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

*Com EFE

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