Primeiro-ministro italiano diz que irá repatriar refugiados do norte da África e deixar a ilha apenas para moradores

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, prometeu nesta quarta-feira, em Lampedusa, "a retirada entre as próximas 48 e 60 horas" de 6 mil imigrantes, a maioria tunisianos, que estão na pequena ilha siciliana em condições insalubres.

Policiais italianos organizam fila de imigrantes em Lampedusa, na Itália (AP)
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Policiais italianos organizam fila de imigrantes em Lampedusa, na Itália (AP)
"Vamos liberar a ilha entre dois e dois dias e meio, para o que usaremos seis navios, além de estarmos negociando o sétimo, com um total de 10 mil lugares. Entre 48 e 60 horas a ilha será apenas dos moradores de Lampedusa", disse Berlusconi num discurso diante da prefeitura local. "Estamos controlando os portos e o litoral para evitar novos desembarques. Conseguimos o compromisso de que os tunisianos repatriados sejam aceitos de volta a seu país", acrescentou.

Durante a visita que fez à ilha que abriga imigrantes reugiados de países do norte da África, Berlusconi prometeu uma série de medidas econômicas, entre elas a moratória de vários impostos, como forma de ressarcir os moradores de Lampedusa, uma ilha que vive essencialmente da pesca e do turismo. "Lampedusa voltará a ser um paraíso", prometeu Berlusconi, garantindo que os canais de televisão oficiais e privados, Rai e Mediaset, realizarão programas sobre suas belezas naturais.

Desde a queda do presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro, mais de 20 mil imigrantes desembarcaram em Lampedusa, contra os cerca de 4 mil que o fizeram durante todo o ano de 2010.

Além de tunisianos, têm chegado a Lampedusa também imigrantes refugiados do conflito na Líbia. O número de imigrantes que estão na ilha italiana já supera o número total de habitantes, causando ainda mais tensão no local - que vem recebendo um grande fluxo de africanos nos últimos meses e tem estrutura limitada para lidar com tantas pessoas.

*Com AFP e BBC

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