Ben Ali é condenado por posse de drogas e armas

Ex-presidente da Tunísia foi sentenciado a 15 anos e multa de US$ 72 mil; nova pena soma-se aos 35 anos de prisão por desvio de fundos

iG São Paulo |

O ex-presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali foi condenado nesta segunda-feira a 15 anos e meio de prisão e a uma multa de US$ 72 mil (R$ 112,25 mil) por posse de armas, drogas e peças arqueológicas, anunciou o juiz do tribunal de primeira instância da Tunísia.

AFP
Hosni Beji (C), um dos advogados de defesa do ex-presidente tunisiano, protesta contra sentença contra Ben Ali sobre posse de armas e drogas
O presidente deposto, refugiado na Arábia Saudita, já havia sido condenado em 20 de junho passado à revelia a 35 anos de prisão e 45 milhões de euros de multa por desvio de fundos.

Forçado a renunciar em 14 de janeiro em meio a protestos populares, Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, são foragidos da Justiça desde o dia da renúncia. As autoridades transitórias da Tunísia se mobilizaram desde sua fuga do país para tentar detê-lo e extraditá-lo.

'Enganado'

Ben Ali afirmou que não abandonou seu cargo nem fugiu, tendo deixado o país "enganado" por um chefe de segurança. Em um comunicado emitido no dia 20 de junho, o ex-chefe de Estado disse que o diretor-geral encarregado de sua segurança, Ali El Siriati, afirmou em 14 de janeiro que iriam assassiná-lo e que o palácio presidencial estava cercado. "Saí enganado da Tunísia", disse.

"Ali El Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jeddah (Arábia Saudita) por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha segurança", afirmou. "Então tomei o avião com minha família, mas, depois de nossa chegada a Jeddah, o avião voltou para a Tunísia sem me esperar, contrariando minhas ordens diretas. Fiquei em Jeddah contra minha vontade. Mais tarde, foi anunciado que havia fugido da Tunísia."

Os protestos que levaram à queda de Ben Ali começaram em dezembro, depois que o jovem Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo na localidade de Sidi Bouzid para protestar contra os maus-tratos das autoridades locais e da polícia. O episódio deu início aos protestos contra o governo que se estenderam como pólvora até a queda do regime de Ben Ali e sua fuga à Arábia Saudita.

A revolta, batizada de "a Revolução do Jasmim", acabou com ao menos 300 mortos e serviu de exemplo aos protestos similares em outros países africanos e do Oriente Médio conhecidos como "a Primavera Árabe ".

*Com AFP e AP

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