Ben Ali diz ter sido enganado para deixar a Tunísia

No primeiro dia de julgamento, ex-presidente tunisiano disse em comunicado ter sido levado para a Arábia Saudita enganado por chefe de segurança

iG São Paulo |

O ex-presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, cujo julgamento começou nesta segunda-feira, afirmou que não abandonou seu cargo de presidente da República e nem fugiu, mas deixou o país "enganado" por um chefe de segurança.

Em um comunicado emitido nesta segunda-feira, o ex-chefe de Estado explica que o diretor-geral encarregado de sua segurança, Ali El Siriati, afirmou em 14 de janeiro que iriam assassiná-lo e que o palácio presidencial estava cercado. "Saí enganado da Tunísia", contou.

"Ali El Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jeddah (Arábia Saudita) por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha segurança", explicou."Então tomei o avião com minha família (...), mas, depois de nossa chegada a Jeddah, o avião voltou para a Tunísia sem me esperar, contrariando minhas ordens diretas. Fiquei em Jeddah em contra minha vontade. Mais tarde, foi anunciado que eu havia fugido da Tunísia".

O advogado de Ben Ali, o libanês Akram Azuri, afirmou, no entanto, que "isso não quer dizer que Ben Ali ainda se considere presidente da Tunísia".

O julgamento de Ben Ali começou nesta segunda-feira em Túnis sem a presença do acusado. A audiência acontece em uma sala do tribunal de primeira instância da capital tunisiana.

Essa é a primeira de uma longa série de ações judiciais contra o ex-presidente. No processo, Ben Ali e a esposa, Leila Trabelsi, são julgados pela descoberta de grandes quantias de dinheiro, joias, armas e drogas em dois palácios do governo. No domingo, Ben Ali rebateu, por meio de sua defesa, todas as acusações. O presidente deposto afirmou que nunca teve as quantias de dinheiro encontradas em sua residência, que as armas localizadas são fuzis de caça presentes de chefes de Estado e jamais usou ou possuiu entorpecentes.

O ex-presidente da Tunísia é acusado de homicídio, abuso de poder, complô contra a segurança do Estado, desvio de recursos, lavagem de dinheiro. Se considerado culpado, Ben Ali pode pegar de cinco anos de prisão à pena de morte.

*Com AFP e EFE

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