Ban Ki-moon pede que o presidente sírio 'pare de matar seus compatriotas'

Pedido foi feito durante conferência sobre a transição democrática no mundo árabe; Assad aprovou anistia neste domingo

iG São Paulo |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu neste domingo ao persidente sírio Bashar Al Assad que deixe de matar seus compatriotas, em uma declaração durante uma conferência em Beirute sobre a transição democrática no mundo árabe. "Hoje, repito ao presidente sírio Assad: dê fim à violência, deixe de matar seus compatriotas", afirmou Ban.

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Reuters
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, neste domingo durante conferência em Beirute


"Quem exerce o poder usando a força se arrisca à própria perdição e acaba sendo abandonado por seu povo", acrescentou Ban, citando o célebre filósofo árabe do século XIV, Ibn Jaldun. O chefe da ONU, em visita ao Líbano por três dias, afirmou na véspera que a crise na Síria - onde a repressão deixou mais de 5 mil mortos, segundo a ONU - assume um caráter perigoso.

O secretário também afirmou que a "ocupação por Israel dos territórios palestinos deve cessar" e enfatizou que as colônias "dificultam o nascimento de um Estado palestino viável"."A ocupação por Israel de territórios árabes e palestinos deve cessar. A violência contra civis também", declarou. A conferência reúne vários dirigentes ou ex-dirigentes, como a ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, ou o ex-chefe da Liga Árabe e candidato à presidência egípcia Amr Mussa. 

Neste domingo, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, aprovou uma anistia geral para todos os crimes cometidos durante os dez meses de protestos populares contra o governo, segundo anunciou a mídia estatal. A anistia poderia ser aplicada aos desertores do Exército que se entregarem antes do final de janeiro, manifestantes pacíficos e outros que entreguem armas ilegais.

Desafio à repressão

Assad já concedeu várias anistias a prisioneiros desde o início dos protestos, em março, mas milhares ainda permaneceriam presos. A anistia anunciada neste domingo ainda não indica o possível fim dos conflitos. Dezenas de milhares de pessoas em várias regiões da Síria continuam saindo às ruas para pedir o fim do regime de Assad, desafiando a repressão do governo.

Em uma rara manifestação pública na semana passada, Assad acusou novamente as potências internacionais de tentarem desestabilizar a Síria e prometeu esmagar os "terroristas" com um "punho de ferro". No sábado, o líder do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al Thani, afirmou que os países árabes deveriam enviar tropas para a Síria para interromper o derramamento de sangue.

"Para uma situação dessas, para interromper a matança, tropas deveriam ir para lá", disse ele à TV americana CBS. Esta é a primeira vez que um líder árabe defende publicamente uma intervenção militar na Síria.

*com EFE e AFP

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