Bahrein tenta reprimir protestos contrários ao governo

Oposição pede mudanças no regime monárquico e nova Constituição; choques teriam deixado ao menos um morto e um gravemente ferido

iG São Paulo |

Forças de segurança do Bahrein tentaram conter manifestantes e protestos contra o governo nesta segunda-feira com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Seguindo a revolta de países da região, como Tunísia e Egito, milhares saíram às ruas para protestar contra o governo. Choques entre manifestantes e forças de segurança, segundo testemunhas, deixaram ao menos um morto e um gravamente ferido.

Policiais tentaram reprimir protestos em diferentes lugares, especialmente na capital Manama. Helicópteros sobrevoavam Manama, capital do país insular do Golfo Pérsico, onde os manifestantes deveriam se congregar - algo que não ocorreu por causa da presença das forças de segurança nos bairros xiitas. No entanto, mais de 20 pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, em confrontos nas aldeias xiitas em torno da capital, segundo testemunhas.

AP
Manifestantes correm do gás lacrimogêneo lançado pelos policiais para conter protestos, no vilarejo de Duraz, em Bahrein
Em um hospital de Manama, duas testemunhas disseram que um manifestante de 22 anos, oriundo da localidade de Daih, morreu depois de ser baleado nas costas, e que outro está em estado grave, com traumatismo craniano.

Na aldeia de Diraz, as autoridades usaram gás lacrimogêneo para dispersar cerca de cem xiitas que reivindicavam mais direitos políticos. Outras dez pessoas ficaram feridas em Nuweidrat. "Havia 2 mil (xiitas) sentados na rua expressando suas exigências quando a polícia começou a disparar", disse o manifestante Kamel, de 24 anos.

Diferentemente dos egípcios que pediam a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, os manifestantes não pretendem derrubar o regime monárquico, liderado pelo xeque Khalifa Hamad bin Isa al-Khalifa, coroado rei em 2002.

Nesta segunda-feira ocorre o novo aniversário da Constituição de 2002, marcada por trazer ao país reformas democráticas como a eleição parlamentar. A oposição pede mudanças mais profundas na dinastia que governa o Bahrein - o primeiro país a descobrir petróleo e a exportá-lo no Oriente Médio - como a transferência de poder dos monarcas para o Parlamento. Os organizadores dos protestos reivindicam também uma nova Constituição, escrita com a participação de sunitas e xiitas, além do direito de eleger um primeiro-ministro, a libertação de presos políticos e uma investigação sobre suspeitas de torturas.

Parte dos Emirados Árabes Unidos, o Bahrein tem uma área menor que a cidade de Nova York e possui cerca de 70% da população de xiitas, que reclamam de discriminação do sistema de leis elaborado por sunitas no poder. Antes dos protestos, o governo ofereceu benefícios financeiros, aparentemente na tentativa de atenuar o descontentamento xiita, estimulado pela onda de rebeliões que tem varrido o mundo árabe nas últimas semanas.

Redes sociais da internet foram inundadas com pedidos de apoio de grupos políticos jovens, ativistas e manifestantes para os protestos desta segunda-feira.

"Convocamos todos os bahrenitas - homens, mulheres, meninos, meninas - a partilhar de nossas passeatas de forma pacífica e civilizada, como forma de garantir um futuro estável e promissor para nós e nossos filhos", dizia uma convocação pelo Twitter. "Gostaríamos de salientar que o 14 de fevereiro é só o começo. O caminho pode ser longo, e as manifestações vão continuar por dias e semanas, mas se um povo um dia escolhe a vida, então o destino irá responder."

*Com AP e Reuters

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