Bahrein impõe toque de recolher após protesto com mortes

Policiais tentaram dispersar manifestação com bombas gás de gás lacrimogênio, canhões de água, tanques e helicópteros

iG São Paulo |

A TV estatal do Bahrein informou nesta quarta-feira que os militares do país impuseram um toque de recolher em diversas áreas da capital, Manama, depois dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas ruas da cidade. De acordo com o comunicado da emissora, o toque de recolher valerá entre as 16h e as 4h.

Nesta quarta-feira, as forças de segurança do Bahrein reprimiram com violência um protesto na praça da Pérola, na região central da capital. O protesto foi realizado por manifestantes antigoverno que estavam acampados no local há duas semanas.

A repressão aos ativistas nesta quarta-feira deixou ao menos seis mortos. Os policiais usaram contra os manifestantes bombas de gás lacrimogêneo, canhões de água, tanques e helicópteros. Há relatos de que eles também teriam disparado contra a multidão. Na terça, confrontos entre partidários da oposição e forças policiais deixaram ao menos outros dois mortos e 200 feridos.

AFP
Fumaça preta é vista na Praça da Pérola, palco dos confrontos entre manifestantes e policiais

Os manifestantes, em sua maioria muçulmanos xiitas, vêm pedindo reformas políticas e igualdade de direitos em relação à elite política do país, formada por islâmicos sunitas.

Os monarcas sunitas do Bahrein declararam estado de emergência e recorreram a cerca de mil soldados vindos da vizinha Arábia Saudita, também governada por uma monarquia sunita.

Os ativistas também protestaram contra a presença de soldados sauditas no país, que consideram uma ingerência indevida de um país estrangeiro em assuntos do Bahrein e se reuniram em frente à embaixada da Arábia Saudita.

Zona de guerra

Um líder da oposição afirmou que a praça da Pérola parecia uma zona de guerra. Os manifestantes haviam montado barricadas, que não foram capazes de fazer frente aos militares. Helicópteros vêm sobrevoando a praça e vê-se uma densa camada de fumaça saindo do local.

Há relatos de que alguns manifestantes usaram coquetéis molotov contra as forças de segurança, mas a polícia agora controla as ruas que levam à praça da Pérola, que passou a ser o local símbolo do movimento de oposição.

Tiros foram ouvidos em outras partes da capital, e soldados estão cercando o hospital Salmaniya, o principal da região. Em entrevista à BBC, um médico que trabalha no hospital disse que não está sendo autorizada a entrada e a saída de ninguém, nem mesmo dos funcionários que trabalham com as ambulâncias.

Há relatos de que os feridos estão sendo tratados em mesquitas e residências. A capital está parada e postos de controle da polícia tornam o deslocamento praticamente impossível.

Com BBC e AFP

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