Bahrein condena médicos após protestos por democracia

Vinte médicos, setenciados com penas de cinco a 15 anos, afirmam que autoridades inventaram as acusações

iG São Paulo |

O Bahrein condenou nesta quinta-feira 20 médicos a penas de cinco a 15 anos de prisão por furto e outras acusações, informou a agência estatal de notícias. A sentença foi avaliada por críticos como uma represália por eles terem atendido manifestantes feridos durante os protestos pró-democracia desse ano no país.

Reuters
Manifestantes agitam bandeiras nacionais do Bahrein

Uma corte de segurança também condenou à morte um homem que matou um policial ao atropelá-lo várias vezes e que participou de reuniões ilegais com "objetivos terroristas", segundo a agência BNA. Outro homem foi sentenciado à prisão perpétua por envolvimento no caso.

Os médicos, que negaram as acusações, estavam entre dezenas de profissionais da saúde que foram detidos durante os protestos promovidos por membros da maioria xiita, exigindo o fim da discriminação sectária e maior participação nas decisões do governo. Segundo a BBC, todos trabalhavam no hospital Salmanyra, em Manama.

O Bahrein é governado por uma monarquia sunita, que em março reprimiu os protestos com ajuda de tropas dos vizinhos Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os incidentes deixaram pelo menos 30 mortos, centenas de feridos, e mais de mil detidos.

Os médicos foram acusados de roubar remédios, armazenar armas, ocupar um hospital durante os distúrbios, espalhar boatos, discriminar pacientes e incitar ao ódio contra a monarquia.

Os réus disseram que as autoridades inventaram as acusações para punir profissionais que atenderam manifestantes feridos. Dez médicos foram condenados a 15 anos de prisão; dois a dez anos; e os demais a cinco anos.

Na quarta-feira, um tribunal militar havia confirmado a prisão perpétua imposta a líderes oposicionistas xiitas envolvidos na organização dos protestos, num processo que a Anistia Internacional qualificou de "simulacro de justiça." "Após o veredicto de hoje e os de ontem, sentimos pessimismo", disse Mohsen al-Alawi, advogado dos médicos, prometendo recorrer das decisões.

O governo britânico também manifestou preocupação com as sentenças, que "parecem desproporcionais às acusações apresentadas", segundo o chanceler William Hague. "São fatos preocupantes, que podem abalar os avanços do governo rumo ao diálogo e à reforma, necessários para a estabilidade no Bahrein em longo prazo."

Ativistas dos direitos humanos disseram à BBC que as sentenças contra os médicos são uma surpresa. Uma das médicas, Fatma Haji, disse que ela e seus colegas estão se despedindo de suas famílias, enquanto aguardam a prisão. "Eu sei que sou, definitivamente, 100% inocente. Nosso crime - e eu estou falando por todos os médicos - foi ajudar inocentes, que não tinham ajuda, e que estavam protestando e terminaram feridos", comentou à BBC.

Eles também foram acusados pelo governo de se recusar a tratar membros da força oficial. Parentes de alguns médicos afirmaram à BBC que em junho eles foram torturados para fazer confissões falsas.

Com Reuters

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