Aviões militares dos EUA ajudarão refugiados da Líbia, diz Obama

Presidente americano diz que Kadafi tem de 'deixar o poder'; segundo agência da ONU, quase 180 mil saíram da Líbia

iG São Paulo |

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que aprovou o uso de aviões militares e civis dos EUA para ajudar a repatriar cidadãos egípcios que fugiram para a Tunísia para escapar da violência na Líbia.

O anúncio é o mais recente capítulo em uma grande crise de refugiados causada pelo conflito no país do norte da África. Na manhã desta quinta-feira, a agência de refugiados da ONU disse que quase 180 mil, em sua maioria trabalhadores estrangeiros, fugiram da violência para a Tunísia e o Egito.

Reuters
O presidente dos EUA, Barack Obama, faz declarações ao lado do líder mexicano, Felipe Calderón, em Washington
Cerca de 95 mil atravessaram a fronteira tunisiana, enquanto 83 mil entraram no Egito, segundo estimativas da agência. Nesta quinta, a comissária europeia de Cooperação e Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva, anunciou que a Comissão Europeia concedeu uma ajuda de emergência de 30 milhões de euros para contribuir com as operações de resgate dos refugiados. "A situação atual não é uma crise humanitária, mas uma emergência humanitária", afirmou.

Em coletiva ao lado do presidente mexicano, Felipe Calderón, Obama insistiu que o líder líbio, Muamar Kadafi, "está do lado errado da história" e deve " renunciar e deixar o poder ", em sua declaração mais explícita de apoio a rebeldes que desafiam o governo de quase 42 anos em uma região que passa por uma onda de levantes populares contra regimes autoritários.

"Deixe-me ser claro sobre isso. O coronel Kadafi deve renunciar e deixar o poder", disse Obama na Casa Branca. Em inúmeros pronunciamentos, Kadafi prometeu continuar no poder.

Obama também não excluiu o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, medida que o secretário de Defesa Robert Gates disse na véspera que representaria um ato de guerra por requerer o bombardeio das defesas aéreas líbias. Embora Obama tenha dito que está considerando uma grande variedade de opções, enfatizou o papel dos EUA em ajudar os refugiados e estancar uma crise humanitária.

Obama anunciou que aviões dos EUA desempenhariam um papel humanitário ao ajudar os refugiados egípcios. O Pentágono ordenou dois navios de guerra da Marinha a ir ao Mediterrâneo, mas Obama não discutiu ações militares específicas como oferecer cobertura aérea para os rebeldes.

Investigação criminal

Em mais uma medida de pressão internacional contra o regime líbio, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo, anunciou nesta quinta-feira a abertura de uma investigação sobre crimes contra a humanidade cometidos durante a revolta contra o regime de Kadafi.

Segundo Ocampo, Kadafi, seus filhos e o chefe de sua segurança pessoal serão investigados e poderão ser responsabilizados criminalmente. "Temos um mandato para fazer justiça e faremos. Não haverá impunidade", disse o promotor.

Ele afirmou que as investigações serão imparciais, e os grupos de oposição a Kadafi também estão sujeitos a investigação e a processos se for provado que crimes foram cometidos na batalha contra o regime líbio.

"Temos informações de que algum grupos de oposição também têm armas. Gostaria de ser claro: se grupos de oposição cometerem crimes também serão investigados. Seremos imparciais", afirmou.

Na quarta-feira, Ocampo havia anunciado a abertura da investigação , mas não tinha informado os nomes identificados por seu escritório como suspeitos. O caso foi remetido ao Tribunal pelo Conselho de Segurança da ONU .

Em 26 de fevereiro, o órgão aprovou uma série de sanções contra o regime Kadafi e encarregou uma investigação ao TPI, ao considerar que a repressão contra os manifestantes pode constituir um "crime contra a humanidade".

Não há números oficiais de mortos na violência, com estimativas variando entre centenas e milhares de mortos. Na quarta-feira, o porta-voz da Liga Líbia dos Direitos Humanos, Ali Zeidan, afirmou que o total de mortos poderia ser de pelo menos 6 mil em todo o país.

"A população me disse que foram 3 mil na capital, 2 mil em Benghazi e 1 mil em outras cidades. Mas pode haver mais mortos."

O anúncio do TPI é uma reação sem precedentes à violenta repressão dos protestos na Líbia. Os procuradores frequentemente demoram meses ou às vezes anos para decidir se abrem uma investigação sobre possíveis crimes de guerra.

Não está claro quão rapidamente a corte poderá terminar sua investigação. Assim que ela for completada, o procurador-chefe argentino tem de enviar provas e alegações aos juízes da corte que decidirão se emitem mandados de prisão. A corte, o primeiro tribunal penal permanente do mundo, não tem força policial e conta com as autoridades nacionais para prender os suspeitos.

A investigação é mais uma medida de pressão da comunidade internacional contra o regime líbio, que nos últimos dias foi alvo de sanções do Conselho de Segurança da ONU, dos EUA , da União Europeia , de congelamento de bens pela Suíça e por Washington , e expulso do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Além disso, o governo americano enviou navios e aviões para perto do país para uma eventual intervenção militar.

Com AP, AFP, Reuters e BBC

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