Aviões franceses atacam tanques militares da Líbia

Segundo informações do canal de televisão "Al Jazeera", os caças franceses Rafale destruíram pelo menos quatro tanques

iG São Paulo |

Os aviões franceses que neste sábado começaram a operação militar na Líbia abriram fogo contra as forças de Muamar Kadafi, anunciou o Ministério da Defesa francês, que ressaltou que a missão pretende garantir a exclusão do espaço aéreo e evitar ataques contra a população civil. Segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ação acontece para impedir que as forças do governo líbio ataquem o reduto rebelde de Benghazi.

Thierry Burkhard, coronel do Estado-Maior do Exército, indicou em entrevista coletiva que um dos caças franceses envolvidos nas operações desta tarde realizou "um tiro por volta das 17h45 contra um veículo militar". Citando fontes dos rebeldes, o canal de televisão "Al Jazeera", a emissora disse que os caças franceses Rafale destruíram pelo menos quatro tanques, sem dar mais detalhes. 

AFP
Caça Rafale francês decola da base Saint-Dizier
A ação começou horas depois de líderes ocidentais e árabes terem se reunido em Paris para chegar a um acordo sobre a ação para confrontar o líder líbio, Muamar Kadafi. "Nossa Força Aérea se oporá a qualquer agressão", disse o presidente Nicolas Sarkozy, que previamente havia anunciado que aviões franceses já sobrevoavam a Líbia.

Segundo Sarkozy, caças franceses Rafale sobrevoavam a Líbia para realizar uma missão de reconhecimento do território. A aviação francesa tem o objetivo de "impedir ataques aéreos contra a população em Benghazi", no leste do país.

Outros aviões estão "prontos para intervir contra blindados" do exército líbio, disse o presidente francês.

Sarkzoy confirmou as operações militares na Líbia após uma reunião extraordinária em Paris sobre a crise no país africano. O encontro contou com a presença de 22 representantes de governos e de organizações internacionais (ONU, Liga Árabe e União Africana).

O clima de urgência da cúpula foi aumentada após informações de que Benghazi continuou sendo palco de enfrentamentos apesar de um cessar-fogo anunciado pelas forças do regime líbio. Neste sábado, um avião caça chegou a ser abatido e caiu, em chamas, sobre Benghazi.

"Se não houver um cessar-fogo imediato, nossos países recorrerão a meios militares", disse Sarkozy, após o encontro.

O presidente francês afirmou que o líder líbio, Muamar Kadhafi, "desdenhou" o ultimato da comunidade internacional, "intensificando seus ataques assassinos nas últimas horas".

Mas Sarkozy deixou uma porta aberta e afirmou que "ainda é tempo para Kadafi evitar o pior". Se respeitar a resolução da ONU, indicou o presidente francês, também que "as portas da diplomacia se abrirão quando os ataques cessarem".

Sinal verde

Na quinta-feira, a ONU adotou a resolução 1.973, que instaura uma zona de exclusão aéra na Líbia para proteger os civis de bombardeios e autoriza os Estados membros a tomarem "todas as medidas necessárias" para proteger os civis dos ataques, excluindo a possibilidade de envio de forças de ocupação estrangeiras.

"Nossas forças irão se opor a todas as agressões", disse Sarkozy. "Nossa determinação é total", acrescentou o líder francês. O presidente francês afirmou que "todos os meios necessários, particularmente militares serão aplicados para garantir o respeito das decisões do Conselho de Segurança da ONU".

O governo líbio anunciou um cessar-fogo na sexta-feira, mas desde o princípio os rebeldes e líderes da comunidade internacional se mostraram reticentes em relação ao anúncio. Neste sábado, a reportagem de BBC em Benghazi testemunhou a entrada de tanques das forças do coronel Muamar Khadafi entraram na cidade.

Por volta das 9h da manhã do horário local, um avião caça foi atingido, pegou fogo e caiu sobre a cidade em um movimento dramático. A violência em Benghazi fez com que centenas de carros deixassem a cidade em direção à fronteira com o Egito, ainda mais ao leste do país. Outros tentam fugir a pé.

A agência de refugiados da ONU, Acnur, diz que está se preparando para receber 200 mil pessoas que tentam se afastar dos combates.

'Hora de agir'

Com a popularidade baixíssima nas pesquisas de opinião na França, o presidente Sarkozy, que reconheceu ter minimizado a importância dos levantes populares na Tunísia e no Egito, quis tomar a dianteira na crise líbia.

Analistas creem que o país de Sarkozy deve liderar a operação na Líbia ao lado da Grã-Bretanha. Ao fim da reunião em Paris, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, acusou Khadafi de desrespeitar o cessar-fogo anunciado pelo seu governo e pôs sobre líder líbio a responsabilidade pela ação militar europeia.

"O coronel Khadafi fiz isto acontecer, porque mentiu para a comunidade internacional. Ele prometeu um cessar-fogo e quebrou o cessar-fogo. É hora de agir", disse Cameron à BBC. Ele acrescentou que a necessidade de ação militar é "urgente".

"Temos de pôr em ação o desejo das Nações Unidas. Não podemos permitir que continue o massacre de civis." A coalizão de forças também pelos Estados Unidos e diversos países europeus e árabes.

Na sexta-feira, o presidente americano, Barack Obama, subiu o tom contra o líder líbio e afirmou que Kadafi deve cessar as hostilidades contra opositores ou "enfrentar consequências". "Todos os ataques contra civis devem parar. Khadafi deve impedir que suas tropas continuem avançando para Benghazi e retirá-las de Ajdabiyah, Misrata e Zawiya."

"Deixe-me ser muito claro: Esses termos não são negociáveis. Se ele não acatar, a comunidade internacional irá impor conseqüências", afirmou Obama.

*Com BBC

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