Avião de guerra do Iêmen mata soldados por engano

De acordo com fontes, pelo menos 29 soldados foram mortos no bombardeio; governo nega incidente

iG São Paulo |

Um avião de guerra do governo do Iêmen bombardeou por engano suas próprias tropas, matando pelo menos 29 soldados, informou uma fonte oficial da segurança à rede de televisão CNN neste domingo.

AP
Um soldado desertor segura flores durante uma manifestação contra o presidente Saleh, em Sanaa, capital do Iêmen

De acordo com fontes ouvidas também pela Associated Press, o incidente ocorreu na noite de sábado na província de Abyan, ao sul do país, e teve como alvo uma escola abandonada usada como abrigo pelo exército, mais especificamente pela 119ª Brigada. A escola fica a leste da capital Zinjibar, área controlada por membros relacionados a Al-Qaeda desde maio.

A agência de notícias estatal Saba desmentiu o ataque. Uma fonte do Ministério da Defesa, ouvida pela Reuters também negou "as notícias falsas de que soldados iemenitas foram mortos em um ataque acidental por um avião iemenita".

Segundo a AP, a 119ª Brigada se rebelou contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh para juntar-se ao movimento pedindo a sua saída do governo. Rumores garantem que essa brigada recebeu apoio por parte dos militares americanos para combater os militantes no sul do país de forma eficiente.

O ataque aéreo pode baixar a moral dos soldados iemenitas que tentam controlar Zinjibar e outras áreas de Abyan, que estão sob o controle dos militantes. Pode também levantar questões sobre se o bombardeio foi mesmo um erro, uma vez que as tropas atingidas tinham se aliado contra Saleh diante da crise política.

Forças leais a Saleh estão também combatendo outras tropas, como a 1ª Divisão de Elite, que desertou para a oposição em março. Os dois lados trocaram foguetes e tiros em Sanaa, capital do Iêmen, há alguams semanas.

A crise no Iêmen começou em fevereiro, quando manifestantes, inspirados na Primavera Árabe, tomaram as ruas para pedir a saída de Saleh, há 33 anos no poder. Batalhas entre as forças do governo e tropas anti-Saleh tomaram conta do país, enquanto militantes ligados a Al-Qaeda tiraram vantagem dos distúrbios para controlar regiões do sul do país.

Os ataques no Iêmen são uma grande preocupação para os EUA e para a Europa, porque o país virou um abrigo para militantes islâmicos, inclusive a Al-Qaeda da Península Arábica , que, segundo Washington, é a mais perigosa facção da rede terrorista.

O ataque aéreo em Zinjibar acontece pouco depois de um avião não-tripulado norte-americano ter matado no país três figuras importantes do braço iemenita da Al-Qaeda. Um delas era o clérigo americano Anwar al-Awlaki , um dos mais importantes nomes do grupo terrorista, segundo os EUA.

Por conta de sua morte, no sábado, o Departamento de Estado norte-americano emitiu um alerta de viagem mundial aos cidadãos americanos, para prevenir possíveis represálias após a morte da al-Awlaki.

Com AP e Reuters

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