Autoridades sírias bloqueiam entrada da Cruz Vermelha em Baba Amr

Funcionários de ajuda humanitária tentam levar medicamentos e comida para civis em bairro sob controle das forças sírias em Homs

iG São Paulo |

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que autoridades sírias bloquearam a entrada do comboio de ajuda humanitária com medicamentos e suprimentos ao bairro de Baba Amr, na cidade síria de Homs, sob intensa ofensiva há quase um mês .

Decepcionado, o presidente da Cruz Vermelha disse que a decisão de negar acesso a Baba Amr para os grupos de ajuda humanitária é “inaceitável”.

O governo sírio havia dado sinal verde para a entrada da Cruz Vermelha na quinta-feira, depois da saída de opositores de Baba Amr, que foi tomado por forças de segurança fieis ao regime de Bashar al-Assad. O comboio da entidade chegou à cidade síria de Homs nesta sexta-feira com a missão de entregar alimentos e remédios para civis.

AP
Jovens posam em frente a muro com a palavra "liberdade", escrita em inglês, em Idlib, na Síria

Funcionários da Cruz Vermelha disseram que sete caminhões levam comida, remédios, cobertores, leite para bebês e outros equipamentos. Voluntários e ambulâncias do Crescente Vermelho acompanham o comboio, que também vai tentar retirar moradores que precisem de tratamento médico.

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Muitas casas em Baba Amr estão sem luz e mantimentos básicos e a Cruz Vermelha teme que muitos moradores estejam gravemente feridos.

Segundo fontes da entidade de ajuda humanitáia, a Cruz Vermelha transporta para Damasco corpos de dois jornalistas estrangeiros mortos em conflito. Os corpos seriam do fotógrafo francês Remy Ochlik, que fazia trabalhos para a revista Paris Match, e a repórter americana Marie Colvin, do jornal britânico Sunday Times. Ambos morreram em um ataque em Homs , na semana passada.

O ataque das forças de segurança a Baba Amr foi intensificado na quinta-feira e levou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a fazer um apelo às autoridades sírias para que permitam a entrada da chefe de ajuda humanitária Valerie Amos.

Rússia e China, que anteriormente vetaram duas resoluções do órgão contra a Síria, também deram respaldo ao pedido. Neste sábado, a China pediu ao governo sírio e às outras "partes envolvidas" que cessem todos os atos de violência para buscar uma saída pacífica à atual crise.

Os 15 países do conselho também afirmaram em um comunicado, aprovado por unanimidade, que "deploram" a deterioração rápida da situação humanitária no país, no qual a repressão do governo aos manifestantes pró-democracia deixou mais de 7,5 mil mortos ao longo de 11 meses, de acordo com a ONU.

Nesta sexta-feira, ao menos 10 pessoas morreram após forças de segurança sírias atirarem um morteiro em um protesto contra Assad em Rastan, segundo o Observatório de Direitos Humanos da Síria.

Em outro sinal da crescente pressão internacional contra a Síria, nesta sexta-feira a França anunciou o fechamento de sua representação diplomática no país, seguindo os passos de Reino Unido , Suíça e Estados Unidos. “Decidimos fechar nossa embaixada”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy. “O que está acontecendo é um escândalo”.

O embaixador da França na Síria, Eric Chevallier, retornou recentemente a Damasco após ser chamado em Paris para consultas.

Chevallier voltou ao território sírio para ajudar a retirar de Homs dois jornalistas franceses: a repórter Edith Bouvier , 31, ferida em um ataque que matou dois jornalistas , e o fotógrafo William Daniels, 34. Eles conseguiram ir para o Líbano e devem chegar à França nesta sexta-feira.

Rússia

Também nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a posição de seu país em relação à Síria e acusou países ocidentais de contribuírem para o conflito ao apoiar a oposição.

Putin negou que a Rússia tenha uma “relação especial” com a Síria. “Temos uma posição de princípio sobre a forma de resolver conflitos como esse e não nos pronunciamos por uma ou outra parte", disse ele.

O premiê reiterou o pedido russo por diálogo entre governo e oposição, dizendo que a recusa do Ocidente em fazer tal pedido aos que lutam contra o presidente Bashar Al-Assad os encorajou a continuar os confrontos.

“Eles querem que Assad retire suas forças para que a oposição possa entrar?”, questionou Putin, durante uma reunião com editores de jornais estrangeiros. “Esse tipo de ação é equilibrada?”

Putin ridicularizou as exigências feitas pelos países ocidentais dizendo que a próxima será que Assad “pegue uma roupa de madeira e coloque música para tocar em sua casa”. A expressão, usada em filmes de comédia soviéticos, foi usada pelo premiê para dizer que, se cumprir as exigências, o presidente sírio estará fazendo seu próprio funeral. “Ele nunca vai concordar com isso”, disse Putin.

Com AP, Reuters, AFP e BBC

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