Autoridade do governo sírio renuncia e se une à oposição

Vice-ministro sírio do Petróleo é funcionário de mais alto escalão a abandonar o governo desde o início da revolta popular

iG São Paulo |

AP
O vice-ministro do Petróleo da Síria, Abdo Husameddine, renuncia ao cargo em vídeo publicado no YouTube
O vice-ministro sírio do Petróleo, Abdo Hussameddine, anunciou na noite de quarta-feira que renunciou ao cargo para se unir à oposição contra o presidente Bashar Al-Assad. Foi a autoridade de mais alto escalão a abandonar o governo desde o início da revolta popular contra Assad, que começou há quase um ano.

Leia também: Missão humanitária diz que bairro de Homs está destruído

Hussameddine, 58 anos, é vice-ministro do Petróleo desde agosto de 2009 e disse ser funcionário do governo sírio há 33 anos.

Em um vídeo postado no YouTube, ele afirmou que abandonou o regime e o Partido Baath apesar de saber que “sua casa será queimada e sua família será perseguida”. “Estou me unindo à revolução daqueles que rejeitam a injustiça e a campanha brutal do governo”, afirmou. “Digo ao regime, que acha que é dono do país: você não tem nada além das marcas dos tanques movidos pela barbárie e que matam inocentes”.

O governo sírio ainda não comentou a renúncia do ministro, organizada com a ajuda de ativistas. Embora vários militares tenham desertado para se unir à revolta, poucas autoridades civis da Síria renunciaram publicamente como Hussameddine.

No vídeo, o vice-ministro criticou a Rússia e a China por vetarem resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Síria, deixando de proteger o povo sírio para proteger “os assassinos do regime”. Ele afirmou que não quer terminar sua vida “servindo um governo criminoso”.

Esforços diplomáticos

Nesta quinta-feira, o enviado especial conjunto da Liga Árabe e da ONU para a Síria, Kofi Annan, rejeitou a ideia de uma intervenção militar na Síria. Segundo ele, qualquer militarização irá “agravar a situação”

"Espero que ninguém esteja pensando muito seriamente em usar a força nesta situação", disse Annan no Cairo, após reunião com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby. O enviado deve visitar a Síria no sábado.

"Assim que eu for para a Síria, faremos o que pudermos para insistir e pressionar pelo fim das hostilidades. O povo sírio merece (uma situação) melhor. Esse é um povo antigo e corajoso", disse Annan. "Em última análise, a solução reside em um acordo político. Pediremos ao governo e a um amplo espectro da oposição síria que se unam para trabalhar conosco a fim de encontrar uma solução que respeite as aspirações do povo sírio."

Na quarta-feira, a chefe para ajuda humanitária da ONU, Valerie Amos, e voluntários do Crescente Vermelho, um braço da Cruz Vermelha, visitaram por cerca de 45 minutos o bairro de Baba Arm, principal alvo da ofensiva militar na cidade síria de Homs. Valerie disse que o bairro está “destruído” e que a cidade parece “ter sido fechada", segundo sua porta-voz.

O Crescente Vermelho afirmou que o bairro estava praticamente deserto. “Os voluntários disseram que a maior parte dos moradores fugiu para outras áreas de Homs”, informou o porta-voz da organização em Genebra, Hicham Hassan.

A ONU afirmou nesta quinta-feira que prepara estoques de comida para 1,5 milhão de moradores como parte de um plano de emergência de 90 dias para ajudar os civis. "É preciso fazer mais", afirmou John Ging, do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assistência Humanitária, durante o Fórum de Ajuda Humanitária para a Síria, que durou um dia em Genebra, na Suíça.

A operação militar em Homs reforçou a condenação internacional à repressão do governo sírio à revolta contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou há quase um ano. Nos Estados Unidos, o debate sobre uma eventual ação militar na Síria ganhou força e nesta quarta-feira a ideia foi defendida por um dos mais influentes senadores do país, o ex-candidato à presidência John McCain

Principal republicano no Comitê do Senado para as Forças Armadas, McCain disse que as mais de 7,5 mortes de civis estimadas na Síria pedem uma ação dos EUA. Segundo ele, ataques aéreos devem ser usados para pôr fim à repressão, como ocorreu na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia . “No passado, nós lideramos. Não estamos liderando agora”, afirmou.

Diante do comitê, o secretário de Defesa, Leon Panetta, disse que o governo americano acredita que a diplomacia é a melhor forma de resolver a crise – ainda que todas as opções estejam sendo consideradas.

“Não há respostas fáceis para essa situação terrível”, afirmou Panetta. “Não faz sentido optar por uma ação unilateral agora. Temos de ter certeza sobre qual é a missão e o que ela vai conseguir obter.”

O presidente americano, Barack Obama, caracterizou uma ação militar unilateral dos EUA contra o regime sírio de um "erro" , afirmando que a situação no país é mais complicada do que na Líbia.

Com AP, AFP, Reuters e BBC

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