Autoridade da Líbia vai ao Egito com 'mensagem' de Kadafi

Integrante do governo líbio desembarcou no Cairo nesta quarta-feira em um jato particular

iG São Paulo |

Uma autoridade do governo da Líbia desembarcou nesta quarta-feira no Cairo, capital do Egito. Funcionários da embaixada líbia no país disseram que o general Abdul-Rahman bin Ali al-Saiid al-Zawi, chefe da Autoridade para Suprimentos e Logística, leva uma "mensagem" do líder Muamar Kadafi abordando, entre outros assuntos, sua rejeição a uma possível zona de exclusão aérea na Líbia.

Segundo a agência Associated Press, Al-Zawi teria pedido uma reunião com o Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, que comandam o país desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak. A rede de TV Al-Jazeera disse que a reunião seria entre Al-Zawi e o primeiro-ministro egípcio, Essam Sharaf.

De acordo com a edição digital do jornal Al-Ahram, o emissário foi ao Cairo analisar a mobilização árabe e internacional que procura impor uma zona de exclusão aérea na Líbia e pressionar o Egito a não apoiar essa possibilidade.

No próximo sábado ocorrerá uma reunião ministerial da Liga Árabe, que tem sua sede no Cairo, para analisar a crise líbia e, entre outras propostas, ver a possibilidade de respaldar as exigências internacionais para o bloqueio aéreo.

Al-Zawi chegou ao Egito em um jato particular, de acordo com autoridades egípcias. O avião decolou em um pequeno aeroporto da Líbia e cruzou os espaços aéreos de Malta e Grécia antes de pousar no Cairo.

Desde que a revolta popular na Líbia começou, há três semanas, não houve contato público entre o regime líbio e o comando militar egípcio. A revolta popular no Egito é considerada uma "inspiração" para os rebeldes líbios, assim como o movimento que levou à queda do presidente da Tunísia, Zine el-Abidine Ben Ali.

Os protestos contra Kadafi teriam deixado mais de mil mortos. Segundo estimativas da ONU, os confrontos forçaram 212 mil a deixar o país - a maioria trabalhadores imigrantes.

Ameaça

Nesta quarta-feira, Kadafi disse que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como vários líderes rebeldes vêm pedindo.

Em entrevista à TV turca TRT, Kadafi disse que países ocidentais querem impor a zona de exclusão aérea para "tomar o petróleo líbio".

"Se eles tomarem esta decisão, será útil para a Líbia, porque o povo líbio verá a verdade, que o que eles querem é assumir o controle da Líbia e roubar seu petróleo", disse Kadafi. "Então o povo líbio pegará em armas contra eles", afirmou.

Países ocidentais vêm discutindo a possibilidade de impor uma zona de restrição a vôos sobre a Líbia, para impedir ataques aéreos de forças leais ao governo contra rebeldes. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que a decisão depende da ONU e não dos Estados Unidos.

Zonas de exclusão aérea foram impostas sobre as regiões sul e norte do Iraque durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, e durante o conflito na Bósnia, entre 1994 e 1995.

Em discurso transmitido pela TV estatal líbia horas antes da entrevista, Kadafi acusou "forças externas" de estarem fomentando a revolta no país. Ele disse que governos europeus e a rede Al-Qaeda estão incitando a juventude da Líbia a aderir à revolta contra seu governo.

Com AP, AFP, EFE e BBC

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