Aumenta número de mortos em cidade bombardeada na Síria

Exército teria atacado, inclusive, pacientes em hospitais. Ontem, outras nove pessoas teriam morrido em ofensivas oficiais

iG São Paulo |

Ao menos 24 civis morreram e 25 ficaram gravemente feridos neste domingo no bairro Al Raml al Junubi de Latakia, cidade costeira do oeste da Síria bombardeada por navios de guerra e tanques, anunciou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Na véspera, outras nove pessoas haviam morrido em ofensivas oficiais em diversas cidades do país , Latakia incluída. Calcula-se que mais de 1,7 mil pessoas tenham sido mortas nos seis meses de levante contra Assad. Os relatos não podem ser confirmados de maneira independente, por causa das restrições ao trabalho jornalístico na Síria.

AFP
Integrantes da oposição ao governo afirmam que tanques foram vistos neste sábado em um bairro de Latakia

"Consigo ver as silhuetas de duas embarcações cinzas. Eles estão atirando e o impacto está chegando em al-Raml e al-Filistini e nos bairros de al-Shaab," disse uma testemunha à Reuters por telefone de Latakia, onde tanques e veículos armados foram enviados há três meses para reprimir a dissidência contra Assad nos bairros de maioria sunita. 

"Esse é o ataque mais intenso em Latakia desde o começo da insurgência. Qualquer um que colocar a cabeça para fora da janela corre o risco de levar um tiro. Eles querem eliminar as manifestações uma vez por todas", disse.

A cada noite, uma média de 20 mil pessoas têm se manifestado para pedir a renúncia de Assad em diferentes áreas da cidade após as orações de Ramadã, conhecidas como "tarawih", disse uma testemunha.

A União de Coordenação da Revolução Síria informou que 32 civis foram mortos neste domingo. Entre esses, 24 morreram em Latakia, inclusive uma menina de dois anos, Ola al-Jablawi. As mortes ocorreram depois que forças de segurança mataram 20 pessoas durante as marchas realizadas em todo o país na sexta-feira.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, a maioria das vítimas foi alvo de metralhadoras. 

Ataques a hospitais

Um médico em Hama, no oeste da Síria, disse à BBC que as recentes operações do Exército na cidade tiveram um duro efeito nos serviços médicos. O médico, que não quis se identificar por razões de segurança, disse que parte da população se recusa a ir a um dos principais hospitais porque as tropas leais ao presidente Bashar al-Assad entraram no local e chegaram a ferir médicos e enfermeiras e matar alguns dos pacientes.

Também segundo o médico, dois hospitais em Hama foram destruídos durante uma semana de ofensiva do Exército sírio na cidade; outros centros médicos ficaram bastante danificados.

“Um hospital privado teve parte de seus equipamentos destruído por mísseis. As forças de segurança invadiram o hospital, dizendo procurar por armas. Muitos da equipe médica ficaram feridos. Dois hospitais fecharam por conta da destruição”, declarou o médico, agregando que faltam medicamentos e sangue para transfusões.

Pressão diplomática

Ao mesmo tempo, cresce a pressão diplomática externa para que a Síria contenha a ofensiva contra os manifestantes. A Organização da Cooperação Islâmica, entidade que reúne 57 Estados islâmicos, pediu que a Síria interrompa imediatamente o uso da força contra manifestantes civis.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu no sábado um comunicado em conjunto com o rei Abdullah, da Arábia Saudita, pedindo o fim da repressão aos cidadãos sírios.

Uma declaração divulgada pela Casa Branca afirma que os dois chefes de Estado expressaram "profunda preocupação" com a situação síria, durante uma conversa por telefone.

No entanto, até o momento a impressão é de que o cerco aos manifestantes tem crescido, já que há relatos de presença de tropas pró-Assad em diversas cidades – Hama, Homs, Damasco, Deir al-Zour, Aleppo e Idlib, além de Latakia.

Assad atribui os protestos contra seu governo a “grupos terroristas”.

(Com agências internacionais Reuters, AFP e BBC Brasil)

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