Ativistas da Primavera Árabe vencem Prêmio Sakharov

Parlamento europeu premia egípcia, líbio, dois sírios e postumamente tunisiano por papel nos levantes contra autocracias árabes

iG São Paulo |

O Parlamento Europeu concedeu nesta quinta-feira o prestigioso prêmio Sakharov 2011, que promove a liberdade de pensamento, a cinco ativistas da chamada Primavera Árabe .

AFP
Manifestantes celebram na Praça Tahrir, Cairo, em 11 de fevereiro. Ativista Asmaa Mahfouz foi uma das organizadoras da mobilização que pôs fim a regime egípcio de Mubarak
Os vencedores são o tunisiano Mohammed Bouazizi - prêmio póstumo -, a militante egípcia Asmaa Mahfouz, o dissidente líbio Ahmed al-Zubair Ahmed al-Senussi, a advogada síria Razan Zeitouneh e o chargista sírio Ali Farzat, segundo uma fonte parlamentar.

Bouazizi , que colocou fogo no corpo em 17 de dezembro de 2010 em Sidi Bouzid em protesto contra a extorsão que sofria de autoridades, morreu duas semanas depois. O gesto de desespero provocou um amplo movimento popular que resultou na queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali e serviu como estopim para a série de revoltas populares no Oriente Médio e no norte da África.

Asmaa é uma das fundadoras do Movimento dos Jovens de 6 de Abril, que convocou os protestos na Praça Tahrir do Cairo, movimento que liderou as manifestações até a queda do regime de Hosni Mubarak .

Senussi, de 77 anos, passou 31 anos na cadeia pela oposição ao regime de Muamar Kadafi , morto há uma semana em sua cidade natal, Sirte. Completam a lista Razan e Farzat, ambos da Síria, como símbolo da luta que atualmente vive seu povo . Razan, 34, dirige comitês que coordenam a revolta no país, enquanto Farzat teve as mãos quebradas por oficiais das forças de segurança síria após a publicação de charges que criticavam o regime.

O Prêmio Sakharov, equivalente europeu ao Prêmio Nobel da Paz , recompensa a cada ano um defensor dos direitos humanos e da democracia. Concorriam também à premiação de 50 mil euros a organização colombiana Comunidad de Paz de San José de Apartadó e o opositor bielo-russo Dzmitry Bandarenka. Os grandes grupos do Parlamento Europeu - os populares, os socialistas, os liberais e a aliança dos verdes - foram os que propuseram em conjunto as candidaturas de cinco ativistas da Primavera Árabe.

O prêmio Sakharov 2011 será entregue na sessão plenária do Parlamento Europeu em dezembro em Estrasburgo. Na última edição, o prêmio foi dado ao dissidente cubano Guillermo Fariñas , que fez diversas greves de fome contra o regime comunista e não pôde receber a láurea na Europa pela recusa do governo cubano de permitir sua viagem.

O prêmio leva o nome do cientista soviético Andrei Sakharov, que teve de exilar-se da União Soviética pela sua oposição ao programa nuclear da URSS e suas políticas repressivas. Em 1989 tornou-se membro do Parlamento Soviético reformado por Mikhail Gorbachev e fundou o Memorial, uma organização que defende os direitos humanos.

Também já foram premiados o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a militante birmanesa Aung San Suu Kyi, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que também venceram o Nobel da Paz .

*Com EFE, AFP

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