Ativistas da Primavera Árabe recebem Prêmio Sakharov

Cerimônia é marcada pela ausência dos dois premiados sírios, que não puderam comparecer por conta do conflito em seu país

iG São Paulo |

O presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, entregou solenemente nesta quarta-feira o prestigioso Prêmio Sakharov a militantes da chamada Primavera Árabe em uma cerimônia que foi marcada pela ausência de dois premiados sírios.

Leia também: Ativistas da Primavera Árabe vencem Prêmio Sakharov

Reuters
Presidente do Parlamento Europeu Jerzy Buzek entrega prêmio para Asmaa Mahfouz e Ahmed El Senussi, dois dos cinco premiados com o Sakharov

Por meio desse prêmio, que com o correr dos anos ganhou a fama de um quase Nobel , o Parlamento "reconhece os esforços de todos os que lutam pelas liberdades fundamentais e a mudança política no mundo árabe", destacou Buzek.

Dos cinco premiados, um deles foi a título póstumo. Bouazizi , que colocou fogo no corpo em 17 de dezembro de 2010 em Sidi Bouzid em protesto contra a extorsão que sofria de autoridades, morreu duas semanas depois. O gesto de desespero provocou um amplo movimento popular que resultou na queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali e serviu como estopim para a série de revoltas populares no Oriente Médio e no norte da África.

Somente dois dos quatro outros laureados puderam ir a Estrasburgo: a militante egípcia Asmaa Mahfuz, uma das iniciadoras do movimento de contestação que terminou na queda de Hosni Mubarak , e o dissidente líbio Ahmed al Zubair Ahmed al Sanusi, de 77 anos, dos quais 31 passou nas prisões de Muamar Kadafi .

A cerimônia, na qual participou a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, foi marcada pela ausência dos premiados sírios.

Um deles, o chargista Ali Farzat, se dirigiu aos eurodeputados através de uma mensagem de vídeo transmitida do Kuwait, país onde está refugiado e do qual não pode sair por razões administrativas.

A advogada síria Razan Zeituneh também não pôde viajar a Estrasburgo, pois precisa ficar escondida em seu país, destacou Buzek. Mas ela também se dirigiu aos deputados através de uma emocionada mensagem escrita.

Razan Zeituneh dedicou seu prêmio a Ghiyath Matar, um militante morto em consequência da tortura na prisão, em setembro passado, e cuja esposa deu à luz há alguns dias um bebê com seu nome.

Na última edição, o prêmio foi dado ao dissidente cubano Guillermo Fariñas , que fez diversas greves de fome contra o regime comunista, mas assim como os sírios, não pôde receber a láurea na Europa.

O prêmio leva o nome do cientista soviético Andrei Sakharov, que teve de exilar-se da União Soviética pela sua oposição ao programa nuclear da URSS e suas políticas repressivas. Em 1989 tornou-se membro do Parlamento Soviético reformado por Mikhail Gorbachev e fundou o Memorial, uma organização que defende os direitos humanos.

Também já foram premiados o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a militante birmanesa Aung San Suu Kyi, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que também venceram o Nobel da Paz .

Com AFP

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