Ativistas convocam protestos em massa no Egito

Dezenas de milhares estão na Praça Tahrir no quarto dia de manifestações contra junta militar; choques deixaram 28 mortos

iG São Paulo |

Uma multidão de dezenas de milhares lotam nesta terça-feira a Praça Tahrir, do Cairo, após ativistas egípcios terem convocado demonstrações em massa no local - que foi o epicentro da revolta que causou a renúncia de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro - para intensificar a pressão sobre a junta militar que governa o país há nove meses.

AP
Manifestantes participam de protesto contrário à junta militar perto da Praça Tahrir, no Egito

A junta manteve reuniões emergenciais com os partidos políticos para tentar coibir as reivindicações populares por uma "segunda revolução". Os manifestantes exigem a renúncia da junta militar e a transferência do poder a uma autoridade civil, no quarto dia de protestos apesar de uma repressão policial que deixou ao menos 28 mortos e milhares de feridos desde sábado.

A mobilização continua embora, na segunda-feira, o governo transitório do primeiro-ministro Essam Sharaf tenha apresentado seu pedido de renúncia . O Conselho Supremo das Forças Armadas, porém, ainda não se pronunciou se aceita ou rejeita a renúncia do Executivo.

O chefe de Estado militar egípcio, Hussein Tantawi, deve fazer ainda nesta terça-feira um discurso à nação. A nova onda de mobilização popular ocorre menos de uma semana antes de eleições parlamentares, previstas para começar em 28 de novembro. Ao todo, o processo eleitoral levará três meses.

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Pelo menos três manifestantes morreram na segunda-feira à noite em Ismailia, no leste do Egito, em choques contra as forças de segurança do país, enquanto enfrentamentos continuam nesta terça-feira nas imediações do Ministério do Interior, no Cairo.

Segundo a agência de notícias estatal Mena, outros 60 manifestantes ficaram feridos nos choques em Ismailia, cidade situada junto ao Canal de Suez. A agitação civil em Ismailia começou na segunda-feira, quando os cidadãos saíram às ruas para protestar contra a violência empregada pelas forças de segurança contra os manifestantes no Cairo .

Enquanto isso, na capital, disparos de borracha e efeitos do gás lacrimogêneo deixaram ao menos 20 feridos nesta terça-feira perto da Praça Tahrir e do Ministério do Interior, onde se concentram os confrontos, disseram fontes médicas à agência Mena.

Após a convocação da manifestação nesta terça-feira, reforços policiais se dirigiram às imediações do Ministério do Interior, cujos acessos estão interditados por barreiras de agentes da tropa de choque.

Os policiais continuam disparando gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que respondem atirando pedras na rua Muhamad Mahmoud, onde fica a Universidade Americana. Na noite passada, os manifestantes cantavam palavras de ordem como "Liberdade, liberdade", "Egito, Egito" e "O povo quer a queda do marechal", em referência ao chefe da junta militar.

Pedido da Anistia

A Anistia Internacional (AI) pediu nesta terça-feira à União Europeia (UE) que "aumente a pressão" sobre a junta militar egípcia para garantir a transição para um regime democrático, além do respeito à justiça e aos direitos humanos.

Em comunicado, a organização afirmou que há "sinais arrasadores" de que as autoridades egípcias "não pretendiam fazer sua prometida transição para a democracia e a justiça", em referência aos confrontos entre as forças da ordem e os manifestantes nos últimos dias.

De acordo com a ONG, é necessária "uma pressão internacional mais clara, além de objetivos claros", já que a junta militar egípcia "processa milhares de civis, aplicando duras medidas a protestos pacíficos e expandindo as leis de emergência".

Em seu último relatório sobre o Egito, a organização denunciou a "deplorável" situação dos direitos humanos no país sob o regime transitório da junta militar, e ressaltou que ela "cumpriu muito pouco de seus compromissos e piorou a situação em várias áreas".

Segundo a anistia, até agosto cerca de 12 mil civis foram julgados em todo o país em processos "extremamente injustos" e destacou que 13 deles foram condenados à morte.

*Com EFE e AP

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