Ativistas acusam regime sírio de enganar observadores árabes

Chanceler sírio nega que país interfira na missão, enquanto ativistas dizem que observadores são levados para regiões pró-Assad

iG São Paulo |

Ativistas acusaram nesta quarta-feira o regime da Síria de enganar os observadores da Liga Árabe, levando-os para regiões que permanecem leais ao presidente Bashar al-Assad, além de mudar as placas das ruas para confundí-los.

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AP
Monitores da Liga Árabe caminham por bairro em Daraa, na Síria (3/1/2012)

Os ativistas também afirmaram que o governo enviou partidários do regime para bairros rebeldes para que dessem falsos testemunhos.

A missão observadora da Síria, que teve início em 27 de dezembro , lançaum raro olhar externo sobre o país onde a repressão contra manifestantes matou mais de 5 mil pessoas em nove meses, segundo a ONU.

A Liga Árabe não fez nenhum comentário, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jihad Makdissi, negou as alegações. "Nós não interferimos no trabalho da missão", disse Makdissi, acrescentando que o governo dá o respaldo necessário para proteger os observadores.

Ativistas afirmaram que os partidários de Assad estão pintando veículos militares de azul para que eles se assemelhem a veículos da polícia - uma estratégia que permite ao governo dizer que retirou o Exército de áreas populosas em respeito ao acordo com a Liga Árabe que pretendia acabar com a violência no país.

O acordo entre a Síria e a Liga Árabe pede que o governo do país retire as forças de segurança e o armamento pesado das ruas da cidade, que comece a travar um diálogo com a oposição e que liberte os prisioneiros políticos.

A Síria concordou com o plano em 19 de dezembro , possibilitando, assim, a entrada dos observadores. Aivistas afirmam que o número de mortos passa dos 400 desde o dia 21 de dezembro.

Enquanto os observadores continuavam seu trabalho na quarta-feira, forças de segurança e atiradores pró-governo mataram mais de dez pessoas, informaram grupos ativistas.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, afirmou que o grupo não irá reduzir a missão observadora na Síria. Um diplomata disse na terça-feira que a organização consideraria sair do país, uma vez que as mortes continuam apesar da presença dos observadores.

"Nossa missão é importante e fizemos um compromisso", disse Elaraby. "Nós continuaremos com a missão de um mês, e durante esse tempo vamos realizar muitas coisas, mas até o momento nós estamos esperando para avaliar a situação."

A Liga Árabe vem comemorando algumas vitórias dos observadores, como a retirada dos tanques das cidades e a soltura de centenas de prisioneiros. Mas a Síria baniu a maior parte dos jornalistas estrangeiros do país, tornando difícil a verificação das alegações dos dois lados do conflito. "Os observadores estão indo para áreas conhecidas por serem leais ao regime", disse o chefe do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Outro ativista, Mustafa Osso, disse que o governo está levando os observadores para áreas calmas e mudando as placas das ruas, para que os monitores se encaminhem para os bairros errados. "Desde que a missão começou, o regime está limitando os movimentos (dos observadores) e quando eles saem eles estão sob proteção e supervisão da segurança síria", disse.

Um residente de Homs, principal cidade de oposição, disse que ônibus carregados de partidários do regime chegaram no bairro de Khaldiyeh na semana passada pouco antes da visita da missão. As multidões fingiam ser residentes e deram testemunhos aos observadores.

Grupos de oposição têm sido muito críticos à missão árabe, dizendo que simplesmente dá a Assad permissão para a continuidade da repressão.

Com AP

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