Ataque na capital fere presidente e autoridades do Iêmen

Essa é a primeira vez que combatentes tribais atingem palácio presidencial em duas semanas de pesados confrontos em Sanaa

iG São Paulo |

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, ficou levemente ferido em um ataque com foguetes lançado nesta sexta-feira por combatentes tribais, que matou sete guardas e feriu oito autoridades do regime. Essa foi a primeira vez que os militantes da oposição atingiram o palácio presidencial em quase duas semanas de pesados confrontos com os soldados do governo na capital do país, Sanaa.

A violência ocorre em quase quatro meses de protestos que fracassaram em depor o líder iemenita, há 33 anos no poder.

AP
Fogo e fumaça são vistos durante confrontos entre combatentes leais ao xeque Sadeq al-Ahmar, da confederação Hashid, e as forças de segurança em Sanaa, Iêmen (02/06/2011)

O ataque foi um impressionante golpe contra a liderança de Saleh, atingindo uma mesquita no complexo do palácio presidencial onde ele e autoridades graduadas rezavam. Saleh foi levado para um hospital do Ministério da Defesa, e a extensão de seus ferimentos não ficou clara.

A televisão estatal apressou-se em afirmar que Saleh estava bem, desmentindo uma informação prévia do canal Suheil, controlado pela oposição, de que ele teria morrido. "O presidente Saleh foi levemente ferido atrás da cabeça", afirmou uma fonte do Congresso Popular Geral (CPG), partido governista.

Outro disse que ele tinha sido ferido levemente no pescoço, enquanto o vice-ministro da Informação Abdu al-Janadi mencionou apenas "arranhões em seu rosto". "Sua Excelência, o presidente, está em boa saúde e adiou (uma prevista) coletiva de imprensa por causa dos ferimentos. Ele se recuperará", disse Janadi. "Não há nada que afete sua saúde", disse, acrescentando que uma investigação sobre o ataque foi iniciada.

Entre as oito outras autoridades feridas no ataque ao palácio estão o primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro, o presidente do Parlamento, um assessor presidencial e o governador de Sanaa.

"O primeiro-ministro e o presidente do Parlamento, assim como várias personalidades políticas, que assistiam à oração de sexta-feira na mesquita do palácio presidencial, foram feridos pelos disparos", declarou o porta-voz do Congresso Popular Geral (CPG), Tarek Shami.

Uma fonte ligada à presidência informou à AFP que o ministro da Defesa iemenita, general Rashad al-Alimi, foi gravemente ferido e internado.

O palácio presidencial foi atingido no momento em que os confrontos nas ruas do país, ameaçado por uma possível guerra civil, espalham-se para novas partes da capital.

Após quatro meses de protestos populares violentamente reprimidos pelo regime de Saleh, que se nega a deixar o poder, a revolta adquiriu outra magnitude em 23 de maio com o início de combates intensos em Sanaa entre forças leais ao presidente e partidários do xeque Sadeq Al-Ahmar, líder do poderoso clã Hashid, que se uniu à oposição.

As batalhas em Sanaa deixaram ao menos 155 mortos nos últimos dez dias, indicando uma escalada na revolta pelo fim do governo de três décadas de Saleh. Cerca de 370 morreram no empobrecido país desde o início das manifestações, em janeiro.

Também nesta sexta-feira, centenas compareceram ao funeral de 50 pessoas mortas nos conflitos entre o governo e os combatentes tribais. Os dois lados haviam negociado um cessar-fogo na última sexta-feira.

*Com AP, BBC, AFP e Reuters

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