Ataque do Exército deixa dezenas de mortos e feridos na Síria

Segundo testemunhas, soldados usaram tanques para invadir centro de Hama, que está sem água e eletricidade

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo que diz mostrar homem sendo levado ao hospital após ataque do Exército em Hama, na Síria
Tanques do Exército sírio realizaram um ataque na cidade de Hama, ao norte da Síria, neste domingo. O número de mortos ainda é incerto: de acordo com a Associated Press são ao menos 78, mas a rede britânica BBC fala em mais de 100.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou os ataques de "horríveis" e afirmou que o líder da Síria, Bashar Al-Assad, "não está disposto e não é capaz" de responder às demandas legítimas da população.

Testemunhas disseram que os ataques começaram com tanques derrubando centenas de barricadas erguidas por moradores para chegar ao centro de Hama.

De acordo com a BBC, atiradores das forças de segurança foram vistos assumindo posições em prédios altos da cidade. Falando de Londres, Rami Abdel Rahman, do Observatório Sírio de Direitos Humanos, disse que há dezenas de feridos segundo relatos de médicos locais. Moradores afirmam que o fornecimento de água e de eletricidade da cidade foi cortado.

Um morador disse que os três principais hospitais da cidade estavam lotados. "Eles estão cuidando das pessoas nos corredores dos hospitais. Muitos feridos foram levados para suas casas e os médicos estão tratando deles lá", disse.

O morador afirmou ainda que os manifestantes não fizeram nada para provocar a ação militar. "Por três meses, Hama teve enormes manifestações. Mais de 250 pessoas foram mortas e nada, nenhum tiro, veio do povo de Hama. Só barricadas de pedras e madeira."

Em entrevista à rede de TV árabe Al-Jazeera, a porta-voz do governo sírio, Reem Haddad, defendeu a operação militar, dizendo que as autoridades foram forçadas a agir porque Hama está em um "estado de terror".

Hama é palco de alguns dos maiores protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, e esteve cercada pelo Exército durante o último mês.

Para analistas, o ataque visa mostrar que o Exército não vai tolerar manifestações de larga escala pouco antes do mês do Ramadã - mês sagrado para os muçulmanos - quando os protestos devem aumentar.

A cidade também foi palco da repressão de um levante popular contra o pai do presidente Bashar al-Assad, Hafez, em 1982.

Prisões em massa

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. No entanto, as manifestações não dão sinais de ter chegado ao fim, apesar da dura repressão do governo, que gerou condenações e sanções internacionais.

Rahman, do Observatório Sírio, diz que outras três pessoas foram mortas pelas forças de segurança neste domingo, na cidade de Deraa, e outras seis na cidade de Deir al-Zour.

Na última sexta-feira, 20 pessoas foram mortas e 35 ficaram feridas durante protestos em diversas cidades no país. De acordo com os ativistas pelos direitos humanos, mais de 500 pessoas foram presas em uma operação no bairro de Qadam, na capital, Damasco.

Desde o início dos protestos, mais de 12.600 pessoas foram presas e outras 3 mil constam como desaparecidas.

Com BBC

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