Ataque da Síria contra cidade na região central deixa 15 mortos

Governo mantém repressão apesar de anúncio de anistia a presos políticos e de investigação sobre morte de menino em protestos

iG São Paulo |

Soldados do governo sírio atacaram com artilharia e disparos Rastan, cidade no centro do país (perto de Homs), renovando uma ofensiva em uma área rebelde que foi amplamente isolada nos últimos seis dias. Os ataques deixaram pelo menos 15 mortos, elevando para 72 o número de mortos na cidade desde que a repressão começou. "As forças de segurança impedem a entrada de qualquer tipo de assistência na cidade", disse um ativista.

A ofensiva ocorre apesar do anúncio de uma anistia pelo regime do presidente Bashar al-Assad e da libertação de centenas de presos políticos . As iniciativas foram desconsideradas pelos grupos de oposição sírios, que as consideram tardias.

Também foram ouvidos disparos em Talbiseh, outra cidade perto de Homs, segundo Abu Talal Al Tillaui, que mora na região. "Agentes dos serviços de segurança com uniforme do Exército realizaram apreensões. Quebram tudo o que encontram, geladeiras, televisores, carros", disse.

Desde a madrugada do último domingo, dezenas de tanques cercam Rastan e Talbiseh, assim como a localidade de Teir Maaleh, para tentar esmagar o protesto nessas regiões perto de Homs, terceira maior cidade da Síria, que fica a 160 km ao norte de Damasco.

De acordo com ativistas, mais de 1,1 mil morreram desde o início dos protestos, enquanto 10 mil foram detidos. Mas a repressão não tem desestimulado as manifestações, que ocorreram quase diariamente e atraem milhares para as ruas a cada sexta-feira.

Reprodução
Reprodução de vídeo sem data mostra manifestante com foto de Hamza al-Khatib, que virou símbolo de protestos na Síria
Acenos para a oposição

As autoridades sírias anunciaram na quarta-feira uma investigação sobre a morte de um menino de 13 anos que se tornou um poderoso símbolo para os manifestantes que enfrentam a repressão sangrenta nos protestos contra Assad. Segundo ativistas, Hamza al-Khatib, de 13 anos, foi torturado e morto por forças de segurança do governo.

O anúncio da investigação, feito pelo Ministério do Interior sírio, ocorreu no mesmo dia em que Assad se reuniu com os pais do menino e que um grupo de direitos humanos com base no Reino Unido anunciou que mais de 500 presos políticos foram libertados após o governo ter anunciado uma anistia . Na quarta-feira, o governo também anunciou a criação de órgão para promover um " diálogo nacional " no país.

Uma foto de Khatib foi estampada nos cartazes dos manifestantes em toda a Síria, depois que um vídeo no YouTube mostrando o corpo dele ensanguentado provocou indignação internacional. Autoridades sírias negam que o menino tenha sido torturado, afirmando que ele foi morto em uma manifestação na qual gangues armadas dispararam contra as forças de segurança.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse estar "muito preocupada" com o caso de Khatib. "Acho que isso simboliza para muitos sírios um colapso total de qualquer esforço por parte do governo sírio de escutar e colaborar com seu próprio povo", disse Hillary. "Só posso esperar que essa criança não tenha morrido em vão..."

AP
Imagem de vídeo amador de 24/04/2011 postado no YouTube mostra homens com mulher ferida em Deraa, Síria
Khatib, assim como o vendedor de frutas Mohamed Bouazizi , que ateou fogo ao próprio corpo na Tunísia, e Neda Agha Soltan , cujos últimos momentos de vida foram gravados e divulgados na internet, tornou-se um poderoso símbolo para os manifestantes que exigiam maior liberdade em seus países. A repressão dos protestos na Síria levou os Estados Unidos e a União Europeia a impor sanções contra Assad.

Crianças mortas

De acordo com o Unicef, 30 crianças morreram vítimas de disparos das forças de segurança do regime de Assad. "A utilização de munições de verdade contra os manifestantes provocou a morte de pelo menos 30 crianças", informou o Fundo Mundial das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em um comunicado que reconhece a própria incapacidade de verificar as circunstâncias exatas das mortes.

A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou na quarta-feira "crimes contra a Humanidade" cometidos na região de Deraa, num informe chamado "Nunca vimos tamanho horror". Cerca de 50 testemunhos feitos à HRW descrevem matanças sistemáticas, espancamentos, torturas com aparelhos elétricos e prisão de feridos submetidos a tratamentos médicos.

"Há meses as autoridades sírias matam e torturam os cidadãos impunemente", afirmou Sara Leah Whitson, responsável da entidade no Oriente Médio.

*Com AP, BBC, Reuters e AFP

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