Ataque da Otan mata filho e netos de Kadafi na Líbia

O líder líbio Muammar Kadafi sobreviveu ao ataque aéreo, de acordo com um porta-voz do governo

iG São Paulo |

O líder líbio Muammar Kadafi sobreviveu a um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental, na noite de sábado. O ataque aéreo  matou seu filho mais novo, Saif al-Arab, e três de seus netos, de acordo com um porta-voz do governo líbio.

"O líder com sua esposa estavam na casa com outros amigos e parentes, mas ele não ficou ferido", disse o porta-voz Mussa Ibrahim. Ele afirmou que Saif al-Arab era civil e que havia estudado na Alemanha. Ele tinha 29 anos de idade.

AP
A casa do filho de Kafafi após o bombardeio da Otan

"Isto foi uma operação direta para assassinar o líder deste país", disse o porta-voz.

Autoridades líbias levaram jornalistas até a casa, que tinha sido atingida por pelo menos três mísseis. O telhado desabou completamente em algumas áreas, deixando cordas de aço penduradas entre os pedaços de concreto. Segundo jornalistas, o imóvel ficou extremamente danificado e uma bomba que não explodiu continua no local.

Uma máquina de futebol de mesa ficou do lado de fora da residência, no jardim. A casa está localizada em uma área residencial abastada de Trípoli, capital da Líbia.

Outras 13 fortes explosões atingiram o porto líbio de Misurata neste sábado à medida que aviões da Otan procuravam alvos na terceira cidade do país que está controlada por rebeldes.

As explosões puderam ser ouvidas por dez minutos vindo dos subúrbios da cidade de meio milhão de pessoas em regiões onde as forças a favor de Kadafi parecem estar no controle. Na hora das explosões, vários aviões da Otan estavam voando sobre a cidade sitiada pelas tropas leais ao ditador líbio por dois meses.

Cessar-fogo

A Otan e rebeldes líbios rejeitaram mais uma proposta de cessar-fogo feita por Kadafi. A Otan disse que não vai considerar negociações até que o governo da Líbia suspenda os ataques contra civis no país. Já líderes rebeldes disseram que a oferta de Kadafi não é séria e que ele já usou essa tática outras vezes.

"O povo da Líbia não consegue imaginar ou aceitar um futuro em que o regime de Kadafi tenha qualquer papel", disse o vice-líder do Conselho Nacional de Transição (CNT) Abdul Hafez Ghoga. "O regime de Kadafi perdeu toda a credibilidade."

Suprimentos

O governo líbio disse que não vai mais permitir nenhuma entrega de suprimentos por mar para a cidade de Misrata. O porto local tem servido como uma tábua de salvação para os rebeldes e civis em Misrata, permitindo a entrada de alimentos e remédios e a saída de feridos e imigrantes presos na cidade.

O porta-voz do governo Moussa Ibrahim disse que o porto estava sendo usado para a entrega de armas para os rebeldes e que qualquer um que tente se aproximar do local a partir de agora será atacado. Ele também afirmou que os rebeldes cercados na cidade têm quatro dias para baixar as armas em troca de anistia. Se continuarem os confrontos, eles vão se deparar com "artilharia intensa". Mais cedo, a Otan havia dito que forças do governo estavam tentando colocar minas ao redor de Misrata. Um comandante da aliança militar disse que as minas estavam sendo desativadas.

(Com Reuters e BBC Brasil)

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