Ataque a Homs é o mais violento até agora, dizem moradores

Forças de segurança mantêm pelo 5º dia ofensiva que matou centenas, enquanto Rússia pede apoio árabe e do Ocidente a seus esforços diplomáticos

iG São Paulo |

Um dia após um encontro em Damasco que o presidente Bashar al-Assad prometeu pôr fim à violência, o chanceler russo, Serguei Lavrov, anunciou nesta quarta-feira que o vice-presidente sírio procuraria abrir negociações com forças da oposição no país, e conclamou os líderes árabes e do Ocidente a apoiar tais esforços.

AP
Imagem divulgada por ativistas em 08/02 mostra homem chorando ao lado de corpo em hospital de Homs

O pedido foi feito enquanto as forças de segurança da Síria retomaram a ofensiva na cidade de Homs, no quinto dia de uma brutal operação que deixou centenas de mortos. De acordo com testemunhas ouvidas pela rede britânica BBC, os ataques são os mais intensos registrados na cidade desde o início da revolta contra o president Assad, há quase 11 meses.

Leia também: Países do Golfo expulsam embaixadores da Síria

Por sua parte, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, pediu que aqueles que estão de fora da crise permitam que os sírios tomem suas próprias decisões sem uma intervenção estrangeira. "Devemos dar às pessoas uma chance de tomar decisões sobre seu destino de forma independente. Também devemos ajudar, aconselhar, impor limites para que as partes em conflito não tenham a chance de usar armas, mas, em nenhum caso, interferir."

Relembrando a situação da Líbia, onde uma ofensiva ocidental ajudou a oposição a destituir o regime com a morte de Muamar Kadafi em 20 de outubro, Putin disse que o país ainda é palco de crimes resultantes de uma "intervenção militar", mas que ninguém mais fala deles. A intervenção na Líbia, que foi permitida por uma resolução da ONU, foi uma das justificativas oficiais que Moscou usou para vetar juntamente com a China no sábado uma resolução sobre Síria no Conselho de Segurança.

Com o argumento da não intervenção externa, a Rússia também criticou nesta quarta-feira os países que limitaram seus laços diplomáticos com Damasco. Na terça-feira, os países-membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) anunciaram a expulsão dos embaixadores da Síria de seus territórios e também a convocação de seus diplomatas na Síria.

A decisão foi tomada um dia depois de o governo dos Estados Unidos fechar sua embaixada no país. Reino Unido, Itália, França e a Espanha decidiram convocar seus embaixadores em Damasco. 

Violência

Mas as medidas de pressão externas e a intermediação da Rússia no conflito parecem não ter um efeito imediato no conflito. Moradores de Homs disseram que os ataques com morteiros e foguetes são indiscriminados em locais como Baba Amr, bairro da cidade que teria passado para o controle de desertores do Exército e onde as forças de segurança concentram sua atuação.

"Qualquer casa em Baba Amr é alvo. Você precisa ter sorte para sobreviver. Você precisa ter sorte para seguir vivendo", disse o residente identificado apenas como Omar. "A casa ao lado da minha foi atingida. Um bebê...a cabeça dela explodiu por causa da pressão dos foguetes."

Há relatos de que 18 bebês prematuros teriam morrido nesta quarta-feira, depois de um hospital ficar sem eletricidade e as incubadoras serem desligadas. Manifestantes afirmam que bombardeios deixaram mais de 40 mortos em Homs, atingindo também outas cidades como Zabadani e Hama.

As informações não foram confirmadas de forma independente porque a Síria impõe fortes restrição ao trabalho da imprensa internacional. O número de mortos no conflito entre o governo e manifestantes varia de acordo com diferentes contagens. Grupos de direitos humanos dizem que 7 mil foram mortos por tropas do governo desde março. O governo afirma que 2 mil integrantes das suas forças de segurança foram assassinados por ativistas.

AP
Chanceler russo, Serguei Lavrov, reúne-se com o presidente da Síria, Bashar al-Assad no palácio presidencial em Damasco (07/02)
A ONU interrompeu a contagem de mortos que fazia, afirmando que é impossível averiguar dados com independência. O último dado divulgado pelas Nações Unidas, no mês passado, é de que 5,4 mil teriam morrido.

Visita russa

Após sua visita a Damasco, o chanceler russo disse na terça-feira que a Síria quer que a missão de observadores da Liga Árabe continue a atuar no país e seja ampliada para monitorar a aplicação de um plano de paz da organização árabe.

A missão de observadores entrou no país em 26 de dezembro para monitorar a implementação do acordo, que prevê a retirada das forças de segurança das cidades onde há manifestações antigovernamentais, libertação de presos políticos e início de conversações com dissidentes.

O mandato dos monitores expirou em 19 de janeiro, mas, apesar de seus trabalhos terem sido estendidos pela Liga Árabe por um mês no dia 22, a missão perdeu sua força após o CCG, bloco que reúne Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Omã e Emirados Árabes, ter decidido dois dias depois retirar seus integrantes .

Posteriormente, a Liga Árabe também propôs um novo acordo prevendo a renúncia de Assad e a criação de um governo de unidade nacional dentro de dois meses. A proposta foi rejeitada por Damasco.

Também segundo o chanceler russo, Assad anunciará em breve a data de um referendo sobre a nova Constituição do país, que já foi concluída. O presidente do país árabe havia anunciado em 10 de janeiro que a consulta popular seria realizada no início de março.

Com BBC, AP, Reuters, EFE e AFP

    Leia tudo sobre: síriamundo árabeassadhomsconselho de segurançaonuliga árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG