Assembleia Geral da ONU aprova resolução que condena Síria

Ban Ki-moon levanta o tom contra regime de Bashar al-Assad e diz que país pode estar sendo palco de crimes contra a humanidade

iG São Paulo |

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução que apoia um plano da Liga Árabe que pede pela renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad, e condena fortemente as violações dos direitos humanos por seu regime.

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EFE
Embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, pede ordem durante uma reunião da Assembleia Geral que discute a crise síria

A votação, na organização composta por 193 membros, foi aprovada por 137 votos favoráveis, contra 12 contrários, e 17 abstenções. A Rússia e a China, que vetaram uma resolução similar no Conselho de Segurança , votaram contra o novo texto.

Diferente do Conselho de Segurança, não há poder de veto na Assembleia Geral e apesar de suas resoluções não terem força legal, elas refletem a opinião mundial em questões importantes.

Segundo a BBC, o Egito introduziu a resolução na reunião em nome de 27 outros países que a apoiavam, e exigiu que os delegados chegassem a um consenso para enviar uma forte mensagem às autoridades sírias.

Mas o embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, disse que um voto favorável seria somente uma mensagem de apoio a "todos os extremistas e terroristas". O governo sírio rotineiramente afirma que está combatendo grupos terroristas e gangues armadas.

Jaafari acrescentou que a resolução "acirraria a crise e provocaria mais violência na região como um todo". Antes da votação, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon pediu às autoridades da Síria que parem de matar civis, e disse que o país pode estar sendo palco de crimes contra a humanidade.

"Nós vemos bairros sendo bombardeados indiscriminadamente, hospitais sendo usados como centros de tortura, crianças de dez anos sendo mortas e sofrendo abusos. Nós vemos quase certamente crimes contra a humanidade", disse.

Ban Ki-moon afimrou que era lamentável que a resolução anterior colocada à votação no Conselho de Segurança da ONU tenha sido vetada pela China e pela Rússia, mas que a falta de consenso "não dá licença ao governo para continuar atacando seu povo".

Antes da votação desta quinta, o vice-chanceler russo Gennady Gatilov disse que a última resolução "continua desequilibrada" e então Moscou não poderia apoiá-la. "Ela dirige todas as suas demandas ao governo, e não fala nada sobre a oposição", informou a mídia russa citando-o.

Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores, teve uma breve reunião com seu colega francês, Alain Juppé, em Viena nesta quinta, mas disse que ele - que apoia a resolução - não expôs novas propostas.

Nesta quinta, a China também anunciou que enviaria um diplomata a Síria. O vice-chanceler Zhai Jun irá à capital, em Damasco, na sexta-feira, no que Pequim caracterizou como uma tentativa de encontrar uma resolução "pacífica e apropriada" para o conflito.

Em Pequim, Zhai disse que a China não aprova uma intervenção armada ou que a mudança de regime na Síria ocorra de maneira forçada. Em entrevista divulgada no site do Ministério das Relações Exteriores chinês, ele condenou a violência contra civis e pediu ao governo que respeite a legitimidade de seu povo que pede por reformas.

Ele acrescentou que a aplicação ou ameaça de sanções não "conduzem a uma resolução apropriada da questão". Uma porta-voz da chancelaria chinesa não afirmou se Zhai se encontrará com membros da oposição durante os dois dias da visita, que começa na sexta-feira.

"Eu acredito que a mensagem dessa visita é que a China espera por uma resolução pacífica e apropriada para a situaçãp na Síria, e que os chineses terão um papel construtivo de mediaçaõ", disse Liu Weimin. Na semana passada, Zhai teve um encontro com uma delegação opositora da Síria em Pequim.

Na Síria, as forças do governo teriam lançado um ataque contra a cidade de Deraa no sul do país, um dos redutos da oposição. O grupo ativista Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) disse que havia temores de um massacre na província de Deraa em Sahm al-Julan, onde dezenas de civis desapareceram.

Leia também: Síria ignora críticas da ONU e lança 'ataque brutal' em Homs

"Testemunhas dizem que as forças de segurança atiraram nos civis e então os colocoram em caminhonetes. Seu destino é desconhecido", disse o grupo em comunicado.

Há também registros de violência na fronteira com o Iraque e em Kfar Nabuda, na província central de Hama, onde um número considerável de civis e de soldados rebeldes - que desertaram do Exército de Assad e foram para o lado rebelde - foram mortos.

De acordo com o relato de ativistas, cerca de 40 foram mortos no país na quinta-feira. Há também registros de mais ataques do governo em Homs, que junto à Hama foi atingido com grandes ofensivas das tropas do governo.

A Síria estabeleceu um referendo para o dia 26 de fevereiro para uma nova constituição, com base no pluralismo e suprimindo qualquer referência ao partido Baath, que governa a Síria há quase 50 anos. O fim da supremacia do Baath era uma exigência da oposição, que também deseja a renúncia de Assad.

No entanto, segundo relatos, ativistas dos Comitês de Coordenação Locais afirmaram que vão boicotar o referendo , por ele representar uma continuidade do espírito da atual lei fundamental e concede ao presidente prerrogativas absolutas.

Com AFP, AP e Reuters

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